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28.12.07

Portugal. Esta merda! História não revista para incrédulos Grande 31

O final em três gatos
I. Quando o senhor generoso percebeu que tinha gasto mais connosco do que aquilo que nós podíamos pagar e que íamos entrar num ‘pântano’, aproveitou a primeira oportunidade (uma eleições para juntas de freguesia) e demitiu-se. Guterres, para uns foi-se embora, para outros fugiu a sete pés. Para ele, resolver os problemas dos refugiados do Mundo inteiro, é tarefa mais fácil que emendar os seus bem intencionados erros.
Precisávamos pois de alguém capaz de resolver o problema e fomos buscar um Durão Barroso. Também conhecido por Cherne, mudou o ‘pântano’ para ‘tanga’ e a seguir foi-se também embora. Ou fugiu a sete pés, consoante os pontos de vista. Durão, não era assim tão duro e também achou que resolver o mega-problema de uma Europa estagnada e ingovernável sempre seria mais fácil que tirar Portugal da moda brasileira.

II. Ou seja, se já estávamos mal, ficámos pior e a caminho da falência. O que para outros povos não é o fim do mundo, mas para as almas lusas, é! E não nos falem do fim do mundo, que ficamos histéricos! E por falar nisso, eis que surge Pedro Santana Lopes para governar o país. Finalmente o PPD no Governo! Toda a gente riu às lágrimas e depois chorou um bocadinho. O presidente Sampaio (o primeiro que não era o Mário Soares e o mais incompetente deles todos), andou que tempos a pensar no assunto e lá o empossou. Mas antes de podermos dizer “fim do mundo”, Sampaio, o mais pacífico de todos os seres com sardas e cabelo cor de cenoura, não teve outra solução se não usar a bomba atómica. Kapum!

III. Com a derrota na final do Euro 2004 contra uns gajos que nem falar sabem, o povo decidiu tomar posições firmes. Para grandes males, grandes remédios: maioria absoluta ao PS e tragam de volta o Cavaco para supervisionar. “Isto não pode, repetimos, não pode voltar a acontecer!” Pareceu-me ouvir dizer no meio dessa coisa ululante que é “o Povo”...
Então e para primeiro-ministro? Quem é o melhor daqueles gajos que nem falar sabem com quem perdemos na final? O Sócrates! (Ainda puseram a hipótese do Platão, mas o Sócrates jogava melhor à bola e ao contrário do Aquiles tinha um calcanhar de ouro) Muito bem. Desde que não fosse o Lopes...
E depois parece que é um rapaz que é quase engenheiro. Fala bem e tem ar de “nouvelle vague”. Não parece ser um Salvador e portanto, não fazendo as coisas a régua e esquadro como um engenheiro, pode ser que não tenha o lado mau dos nossos Sebastiões...
Sócrates segue o caminho de Cavaco, não só nas finanças como na mania da autoridade — ou seja, é mesmo arrogante. Ao contrário de Cavaco, não come bolo-rei e está sempre a dar cavaco ao Povo. Embora digam que tem melhor propaganda que o Hitler, que as pessoas gostam muito de fazer comparações com o Hitler...

Nota do super-ego do autor: Este parágrafo é nitidamente ofensivo para o Excelentíssimo Senhor Primeiro Ministro de Portugal pelo que vamos proceder ao desmantelamento deste blogue e admoestar indignamente o seu autor. Por outro lado, o parágrafo não é maldizente o suficiente, pelo que será este blogue classificado como pró-governo e assim desacreditado em praça pública a indicar. (Talvez na da RTP.)

Nota do alter-ego do autor que é contra o Governo e não se deixa vender e não tem medo que lhe fechem o blogue: Sócrates é... um grego, é o que ele é!

Adenda
É claro que é tudo propaganda. Sem o passar da história, é impossível saber se Sócrates está ou não a governar bem. Há muito tempo que ninguém governa bem este país. Ninguém sabe como se faz, nem se é assim. Os portugueses nunca sabem se estão bem, a não ser que alguém lhes diga que estão bem. Nem sabem se estão mal — vejam-se os quarenta anos de ditadura — e mesmo assim, às vezes dizem-lhes, e eles não acreditam. Até porque normalmente dizem-lhes as duas coisas e eles não sabem o que hão-de pensar e isso resolve-lhes este problema. O de pensar, claro.
A coisa mais parecida com bom governo que conhecemos, é o exercício da autoridade. Coisa por que ansiamos, para de seguida nos queixarmos dela, apesar de sabermos que pode ser para nosso bem, embora duvidemos e não gostemos, apesar de poder eventualmente ser bom ou desastroso.
Por outro lado o País como que acordou, ficou mais exigente, olhou em volta e reparou que nada funciona e que o país está como sempre esteve: é pobre e atrasado. Há esforços para resolver o lado do atraso e todo o país está a fazer um esforço de modernização — reparem que já não comemos castanhas assadas em papel de lista telefónica. Claro que agora está tudo à espera que se chegue à parte de resolver o problema da pobreza. Mas o dinheiro sempre foi um problema...

Conclusão (como se isso fosse possível)
Relativamente ao dinheiro... Para um português o dinheiro é muito importante porque normalmente ou não o tem ou lembra-se de cada sapo vivo que teve que comer para o ter. Relativamente ao dinheiro... Nós começámos por roubar a independência à Espanha. Depois para acabar de fazer o país, roubamos as terras aos mouros. A seguir o primeiro dinheirinho à séria que tivemos foi do negócio que roubámos aos mouros. Depois continuámos sempre a ter dinheiro do que íamos roubando aos outros países. Fosse na exploração de recursos naturais de África e do Brasil, fosse pelo tráfico de escravos, fosse através do comércio imposto um pouco por todo o Mundo, fosse pelas remessas dos emigrantes... Aqui fechados é que nunca ganhámos um tusto...
A seguir acabou-se o Ultramar e conseguimos roubar os agora menos crápulas europeus (deram-nos tanto dinheirinho, coitados...). Agora acabou. Temos de encontrar alguém novo para roubar. Aparentemente, hoje em dia com a Internet, pode roubar-se em todo o lado sem se sair de casa. O melhor seria começar pelos espanhóis mas depois (quem sabe com eles), roubar todo o mundo! Nunca sei se a expressão é que a História nunca se repete, ou se é que a História está sempre a repetir-se... Decididamente não percebo muito de História. Mas gosto de histórias.

Bom Ano a todos, dinheirinho e saúdinha e esperemos que 2008 não seja o fim do mundo!

13.12.07

Portugal. Esta merda! História não revista para incrédulos 30

Mais um salvador, se fachavôr!
Com o salvador morto e espalhado por Camarate, perdemos o passo e voltámos à confusão, ao atraso e à pobreza de onde não chegámos a sair. Mas o destino não nos dá só azares e pouco tempo depois, com Mário Soares, sempre esforçado, a correr com os militares da presidência da República, havíamos de ter dois golpes de sorte...
Para começar, arranjámos um salvador novinho em folha e com carro a estrear — Cavaco Silva — e depois arranjámos novos mouros a quem roubar, perdão, e finalmente os crápulas europeus, para variar, decidiram dar-nos algum dinheiro. Já não era sem tempo. Há muito que não entrava dinheiro no país, até porque o dinheiro dos emigrantes não dá para tudo.
Cavaco foi um bom salvador. Com ele e com a adesão à CEE, Portugal passou de país em vias de desenvolvimento — em que éramos muito bons —, para um país desenvolvido — em que somos muito maus, mas estamos melhorzito... Claro que o dinheiro europeu, primeiro engordou os problemas, incluindo o Monstro e os empresários merceeiros, depois engordou os empresários mafiosos e depois deu para toda gente. E claro que, também Cavaco, por ironia, se esqueceu de dar cavaco ao povo — na linha dos bons estadistas portugueses — e o povo meteu-o de lá para fora. A seguir deu o coração a um senhor que era maravilhoso, Guterres de seu nome, que não seguia o caminho de Cavaco. Queria era fazer o bem a toda a gente e sem olhar a quem... Nunca vivi tão bem como no tempo dele. E nem trabalhava. Mas estava ocupado... Como toda a gente.

29.11.07

Portugal. Esta merda! História não revista para incrédulos 29

Um novo salvador
Mário Soares tem um bocadinho a mania das grandezas e “fez” uma democracia tão bem feita que quando deu por ela, o povo votou unido na direita de aliança. Esses ingratos... Deram uma maioria absoluta à direita! Convém referir que ninguém queria nem estava à espera que fosse possível unir numa mesma frase duas coisas: direita e absoluta. A coisa estava feita para não haver nenhuma das duas. Acho que alguém fez merda a fazer a lei... A direita estava lá, para equilibrar a democracia e não para se pôr a ganhar! Foi uma chatice, mas os democratas aceitaram a coisa e esperaram para ver. Chamava-se Aliança Democrática, mas no fundo era a reunião de todos os que não eram de esquerda em volta de um homem: Sá Carneiro, mais um salvador da pátria... O que explica muita coisa.
A oportunidade deste governo era tirar o país do pântano revolucionário e lançá-lo na modernidade... Mas antes sequer de começar, tinham que acabar de limpar a sujidade mais merdosa do antigo regime envolta em merda do novo. Era a mais entranhada que o País tinha. Mas a entranha nacional revoltou-se, soltou-se, e, por acaso, Sá Carneiro ia no avião errado e morreu. Um acidente criminoso! Ou um crime acidental.
Para que nos lembremos, que para instituir de vez a democracia, houve cabeças que tiveram que rolar, colocaram a dele no Areeiro.

22.11.07

Portugal. Esta merda! História não revista para incrédulos 28

Só ares malcheirosos
Nos primeiros anos após a revolução, houve nas entranhas do país uma espécie de briga entre o avô austero e conservador que já anda de fraldas e o neto, jovem, idealista, irreverente e utópico que também anda de fraldas. Ou seja, o país ficou muito dividido entre direita (envergonhada e ameaçada de morte) e a esquerda (com extremismos poeticamente irrepreensíveis). O que basicamente queria dizer que uns queriam uma ditadura de direita e outros uma ditadura de esquerda. Mais uma vez, no meio disto andava Mário Soares que inventou um esquema que era caminhar numa corda bamba a meio deles e atraindo-os gritando: “Olhá democracia, olhá democracia!”. E a custo lá iam olhando para ele, até porque naquela altura, de um democrata, sabia-se apenas que comia sardinhas de uma lata...

14.11.07

Portugal. Esta merda! História não revista para incrédulos 27

Merda velha e merda nova
Com o PREC aos saltos, qual mangueira de bombeiro solta dentro de casa, a limpar a merda salazarenta por um lado (o direito), mas a fazer merda nova por outro (o esquerdo), um grupo de generais lá se encheu de coragem e fez alguma coisa. Agarraram na mangueira e fecharam a torneira. Mas já estava tudo ensopado e continuava tudo sujo. À podridão, ao bafio e ao bolor de antigamente, juntou-se uma amálgama de porcaria onde nasciam ideias como cogumelos e outros fungos de todo o espectro político, imaginário e psicadélico. Com algum trabalho, Portugal tornou-se num país Democrático e finalmente, alinhado com a Europa e com o resto do mundo civilizado. Porém, pobre e atrasado. A seguir à revolução, os europeus aproveitavam para vir espreitar nas férias, para ver como eram os índios do fascismo ou a floresta virgem da Democracia. Na altura, chamavam-nos um “país em vias de desenvolvimento”. Ou seja, uma espécie de fim do mundo: o fim do Primeiro Mundo — os crápulas inventam tudo para nos manter no fim de um mundo qualquer!

9.11.07

Portugal. Esta merda! História não revista para incrédulos 26

26 de Abril de 1974
Missão cumprida! Portugal ficou em democracia. Quer dizer, quase. Não bastava o dia 25 de Abril para limpar toda a merda salazarenta, era preciso mais tempo para remexer muito nela, porque ela estava muito entranhada.
A seguir à revolução e durante algum tempo, o país andou com um jacto de água na mão a limpar a porcaria maior dos longos anos de escuridão estado-novense. Por causa das grandes bostas, teve de se começar a limpar à mangueirada, que de outra maneira não ia lá. Claro que, limpar à mangueirada estraga sempre muita coisa, inunda e isso pode dar merda. Mas não sabíamos fazer de outra forma e a merda era muita. O pior que se podia adivinhar, aconteceu. Ou seja, largaram a mangueira sozinha e ela começou a dançar no ar e a atingir tudo e todos. Chamaram-lhe PREC. Ainda a saírem da Guerra do Ultramar-Colonial-de-Libertação, dificilmente alguém de bom senso quereria chamar-lhe Guerra Civil.

3.11.07

Portugal. Esta merda! História não revista para incrédulos 25

25-A
A revolução do 25 de Abril não foi tão patética como a revolução republicana. Mas está também, muito bem cotada. O cravo e as músicas fazem muita diferença. Começa por ser um golpe quase sindical dos militares. Ainda por cima de capitães. Podia ter sido uma revolução de generais ou coronéis, mas não, foi de capitães. O que não é mau, porque segundo o Pessimista-Mor da III República, podia ter sido pior, pois podia ter sido uma revolução de sargentos.
Da revolução, gosto de pensar que Salgueiro Maia, pegou num mapa da cidade de Lisboa, na arma, virou-se para a mulher e disse: “não faças conta comigo amanhã, que vou a Lisboa fazer uma revolução”. E ela diligentemente, disse-lhe: “toma, leva a marmita e vai com calma. Não abuses da velocidade e tem cuidado com os vermelhos.” E ele lá foi.

26.10.07

Portugal. Esta merda! História não revista para incrédulos 24

FFF
Durante a noite fascista, o povo agarrou-se ao que tinha e o Estado Novo apoiou: Fátima, Futebol e Fado. Ou como quem diz, estamos vivinhos graças a Deus; pelo menos ainda temos com que nos divertir; que é que se há-de fazer?...
Depois de um início demasiado auspicioso, com o tempo, Salazar apodreceu e apodreceu no lugar. A cadeira cedeu ao caruncho e o senhor ao coração que nunca teve. Mas nessa altura, já o país cheirava mal por todo o lado, incluindo um cheiro nauseabundo vindo das entranhas mais profundas do País. Assim à maneira de gases, mas para pior. De resto, a justificação para os cravos no 25 de Abril — era para disfarçar o pivete daquele dia em que se começou a remexer na merda. Era a única flor à mão, mas que para o caso, cheira lindamente.

22.10.07

Portugal. Esta merda! História não revista para incrédulos 23

A santíssima trindade: a Virgem, o Salazar e o Cunhal
A Nossa Senhora, toda virgem, apareceu aos pastorinhos. Mas será que consegue salvar Portugal? O Mundo, ainda vá, não duvido que consiga, mas e Portugal, esta merda! Não era certo, sobretudo agora que andávamos perdidos na “loucura” da primeira república. Por isso, era preciso encontrar um verdadeiro salvador para o país. Mas quem? Os homens cheios de boas intenções — ou seja, os incompetentes — que iam desmandando a República pensaram vez e meia e foram buscar um salvador. Onde? Às entranhas do país, claro.
Foram a Santa Comba Dão buscar o senhor, mas por acaso ele até estava em Coimbra. Era professor e já se chamava Salazar na altura. Não tendo conseguido à primeira, à segunda meteram-lhe o menino — leia-se o País — nas mãos. Ele disse que ia meter ordem na casa. As entranhas gostaram de ouvir e borbulharam de contentes. Ele pôs a casa em ordem. E entranhou-se no país.
O que é estranho, porém, não é ele ter-se entranhado e corresponder plenamente às ânsias de um povo agradecido e protegido na/da fome, na/da pobreza, do estrangeiro, das modernidades, das liberalidades e da guerra. O que é estranho é nunca o terem matado. Cunhal, era um homem mais inteligente do que competente, é verdade. E sendo que ele era leninista, de certo modo, não sei se lhe devemos agradecer ou simplesmente abanar a cabeça em tom de desalento e largar um tss, tss...

17.10.07

Portugal. Esta merda! História não revista para incrédulos 22

A ver o que é que aparece para aí...
O que se seguiu à implantação da República foi muito complicado. É que ficamos “sem rei nem roque”! Nós não estávamos habituados a não ter rei e, apesar de ainda não terem inventado o rock, fazia-nos tanta falta na altura como nos faz hoje uma amiga.
Os republicanos estavam muito à frente mas, mais uma vez, eram pouco eficazes. Salvadores, mas... Por exemplo, Afonso Costa, depois da laicização do Estado através de um ataque sem precedentes nem descendentes à Igreja, disse que a própria religião católica desapareceria do país no prazo de vinte anos. Bom, vinte anos é muito tempo, mas bastou muito menos para a profecia provocar uma cólica e demonstrar o seu erro. Das entranhas do País, veio a resposta...
Foi-se fundo, muito fundo, mesmo muito fundo ao interior do interior das entranhas pátrias, lá mesmo no início da coisa... E o que é que lá estava? No início? Um anjinho que apareceu a Afonso Henriques e a Bula Papal. A Nossa Senhora não tardou a aparecer em cima de uma azinheira, que era o que havia. Apareceu para salvar Portugal. Mas já que cá veio, aproveitou a boleia e salvou também o Mundo, como se veio a descobrir três segredos depois.

11.10.07

Portugal. Esta merda! História não revista para incrédulos 21

Uma guerra s.f.f.
A guerra foi bonita. À boa maneira portuguesa, os republicanos começaram por convencer os militares a lutarem com eles e, quando viram as coisas mal paradas na Rotunda — ala, que se faz tarde! —, decidiram que afinal não valia a pena estarem a chatear e que o melhor era esquecer tudo e foram-se embora. Ficaram os militares revoltosos a atacar no Marquês, enquanto as tropas fiéis ao rei defendiam nos Restauradores. O progresso contra a soberania.
Mas a soberania, na verdade não estava em causa. E de manhã, os portugueses saíram à Avenida da Liberdade e foram ver a guerra com os seus próprios olhos. Como gostam. A guerra parecia correr bem e o povo era quem levava informações entre as duas frentes de combate. Houve ruas mais pequenas que também ficaram cortadas com uma barricada de um lado e outra do outro e, pelo meio, muitas balas e janelas tapadas. Ainda assim, a partir das dez da manhã e durante uma hora pararam os combates para os moradores irem ao pão nosso de cada dia.
A coisa não durou muito tempo e veio ajuda do Tejo, como é normal. O Tejo sempre foi por nós. É um bom exemplo de uma coisa que apesar de nascer em Espanha sempre nos tem ajudado.
No dia cinco, de manhã, perante surpresa e indiferença, proclamou-se a dita. Para o Povo era o menos. Iam ter saudades do Rei — “coitadinho tão novo” —, mas que se lixe. Viva a República, que não há-de ser pior que a Monarquia! Mas, o pior estava ainda para vir...

8.10.07

Portugal. Esta merda! História não revista para incrédulos 20

Um tirito não faz mal a ninguém
Quando chegámos ao intenso séc. XX, o País e sobretudo, o Povo estavam miseráveis. Tão miseráveis, tão miseráveis que o melhor era fazer outra revolução. Contra quem? Então se o Rei é que ainda manda, é contra ele. E foi.
Normalmente, devia pedir-se: “Oh senhor Rei, ponha isto a funcionar ou vá à sua vida”. Mas, como as entranhas ainda estavam a cicatrizar das guerras intestinas do século anterior, a coisa era difícil. Nem o gajo deveria querer sair a bem, nem era fácil convencer as pessoas de que ele tinha que sair. Por isso, excepcionalmente, decidiu-se matar o fulano. Depois esperou-se para ver. O rei morto, foi rei posto e os revolucionários iam ficando cada vez mais excitados. Quem são estes agora? São os republicanos, claro. Outros fulanos muito à frente que tinham umas ideias “novas”.
Depois de matar o rei, os republicanos fizeram as coisas com boas maneiras. Tinham um partido, foram a eleições, ganharam peso e riram-se da monarquia. Depois esticaram a corda. No dia 2 de Outubro, reuniram-se com a Carbonária (inventora do “esparguete à carbonara”) e marcaram a dita revolução. “Para dia 4. Dia 4, implantamos a República... aí por volta da uma da manhã ”, combinaram eles. Mas, a coisa correu mal e às cinco da manhã estavam acampados na Rotunda que havia de ser do Marquês com a Republica nas mãos e sem ideia de como a implantar... Entretanto, tivemos como que... chamemos-lhe uma “guerra à portuguesa”. Assim, pequenina, uma guerra caseira.

4.10.07

Portugal. Esta merda! História não revista para incrédulos 19

Liberalidades
Sentíamo-nos abandonados com o rei lá longe... Mas a Revolução Liberal, resolvendo esse problema, havia de trazer muitos outros. Para começar ficámos sem o Brasil. O que é compreensível. O próprio rei só voltou por obrigação. Não se teria importado nada de lá ter ficado a perseguir nativas pelos jardins tropicais. O filho apanhou-se sozinho e começou a gritar à beira de um riacho que é sempre uma bela maneira de começar um país.
Mas este, nem foi o maior problema. Quem fez a revolução foram uns fulanos muito à frente, que defendiam o tal Liberalismo. E pergunta-se: e Portugal sabia o que era isso? Ora bem, o país começou com um rei a mandar coronhadas na cabeça de mouros, depois o Rei chegou a ser um imperador e agora nem mandar podia(?!). Era ainda difícil passar-nos pela cabeça, deixar de ser o Rei a mandar em tudo. Até porque, por causa de certas “liberalidades” tinha a cabeça do rei francês rolado. Logo, os portugueses não faziam a mínima ideia do que era isso de Liberalismo. Foi por isso, que os liberais escreveram uma constituição para toda a gente saber o que era e obrigaram o rei a assiná-la e respeitá-la. Outro problema surgia. Os portugueses descobriram uma coisa que nunca mais pararam de fazer: escrever leis que ninguém respeita.
Ficámos assim, entre o absolutismo e o liberalismo. A coisa era complicada. Por um lado, uma coisa, por outro, outra. As entranhas profundas do País dividiram-se. Os intestinos andaram em guerra quase o resto do século XIX, ou seja, o oito ou oitenta de Oitocentos. Uma chatice.

28.9.07

Portugal. Esta merda! História não revista para incrédulos 18

A escuridão
O maior erro do Marquês foi subvalorizar as entranhas obscuras do país, o que é sempre um erro terrível. Conseguiu fazer o queria, e até acendeu algumas luzes, mas não deixou seguidores capazes de continuar a iluminar o país. Quase às escuras, entrámos na guerra de Napoleão e às escuras ficámos na guerra. Apagadinhos...
O Rei cheio de medo fugiu para o Brasil e os franceses e os ingleses passaram a jogar futebol em terras lusas. Ou seja, tínhamos o país invadido por hooligans. E aqui, começa a complicação (e o futebol a entranhar-se). Agora, já não eram só os espanhóis que nos chateavam. Agora, até um gajo baixinho com dores de barriga queria mandar em nós. Um “franciú”... E a nossa amizade do norte não ajudava muito... Os “amigos de Peniche”... Com amigos assim, quem é que precisa de inimigos? Ninguém. Fizemos uma revolução. Liberal, segundo consta.

24.9.07

Portugal. Esta merda! História não revista para incrédulos 17

O Terramoto
A França teve o Marquês de Sade, nós tivemos um Marquês sádico. Calunias, no fundo. Na verdade, chamava-se Sebastião e, numa manhã de nevoeiro... Não era bem nevoeiro, era fumo e pó do terramoto de 1755... Lá apareceu ele a salvar a situação. E que situação! Se houvesse televisão na altura, não ia ficar nenhum jornalista nos outros países — vinham todos para Portugal! Ainda assim, a Europa viu o horror e o Fim do Mundo — o que já começa a chatear é estarmos sempre ligados ao Fim do Mundo, mas enfim...
O Marquês de Pombal, que era do tempo das Luzes (sendo a mais conhecida o estádio do Benfica), numa altura em que não havia electricidade, hoje, é uma estação de Metro que tem por cima uma estátua dele com o leão do Sporting, a olhar para o que fez. Na verdade, o homem foi apenas metade de um grande estadista, meio salvador e meio incompetente — a sua obra não continuou. É que o Mito também está na cabeça do timoneiro e claro, metade das vezes dá merda. Como se achava um visionário e mesmo, um génio — que até era —, também achava que podia fazer tudo sozinho e não precisava de dar muito cavaco ao povo!...

20.9.07

Portugal. Esta merda! História não revista para incrédulos 16

Restauração (não é comida)
A seguir tivemos que restaurar a Independência. Segundo alguns historiadores, a coroa dos Áustrias, ou dos Filipes, “não governava para Castela, era todo um império multiterritorial. Se os Áustrias tivessem governado realmente pensando só nos interesses de Castela, Castela não teria ficado tão pobre e arruinada como ficou no fim”. Mas isto não passa de uma saramaguice rude, pois os portugueses da altura também diziam o mesmo. Toda a ideia de uma Ibéria era muito bonita, mas Portugal só perdeu dinheiro, territórios e homens com os assuntos de Castela. E já se sabe, quando nos vão ao bolso... Até fazemos guerras e revoluções. Em Espanha, Filipe IV era o “Grande”, mas em Portugal era Filipe III, o “Opressor”, ou como quem diz: era grande, mas não era grande coisa para nós. Por isso, contra o eleito, fizeram-se as Guerras da Restauração e “elegeu-se” o D. João IV da casa de Bragança, que tal como D. Duarte hoje, era o que havia!

17.9.07

Portugal. Esta merda! História não revista para incrédulos 15

O Mito, o Sebastião e os espanhóis
Portugal para ser país, teve que ser mais do que muitos outros. Por isso o Afonso viu um anjo, por isso somos um dos três países que teve direito a ter uma epopeia épica. A única, escrita por um zarolho. E também por isso, o Sebastião não morreu e há-de voltar numa manhã de nevoeiro. Numa manhã de nevoeiro... É que para lá do incompetente, ficou-nos o salvador. A ideia de um salvador, tanto dá para o bem, como para o mal.
Na verdade, segundo o Sebastianismo, estamos à espera de um adolescente, de um incompetente e de um sujeito com ar amaricado para nos vir salvar. Mas é preciso perceber que nós falimos de vez na altura em que estava um espanhol a desbaratar-nos o império. E se Sebastião voltasse, a coisa só podia melhorar...
A “ocupação” espanhola revoltava muito o país, que agora percebia o medo dos espanhóis que sempre nos dominou. A escolha foi clara: mais vale um rei incompetente que um rei espanhol. Eu não acho mal. Aliás, os bascos têm uma grande admiração por nós, exactamente por sermos a única região espanhola verdadeiramente independente. E isso não é para todos. E mesmo em seiscentos também não era. Era só para nós e por isso até um incompetente era melhor que um espanhol. Quem dera aos bascos terem um incompetente. Por outro lado, os outros espanhóis gostavam que todos os bascos fossem incompetentes.

14.9.07

Portugal. Esta merda! História não revista para incrédulos 14

Estilo de morrer
Se disséssemos que o estilo Manuelino era um estilo do Fim do Mundo, por um lado estaríamos certos, mas por outro não era tecnicamente verdade, porque o mundo já não acabava aqui. O que também não acabava, era todo um rol de riquezas que nos chegavam, incluindo um rinoceronte! Do rinoceronte ao Quinto Império foi um tirinho. Pouco depois fomos à falência. A culpa? Bom, no fundo, a culpa é de um puto que foi curtir para Alcácer Quibir.
«Completamente desvairado, tendo-se munido da espada de D. Afonso Henriques que mandara pedir a Santa Cruz de Coimbra, e de uma coroa de ouro que devia colocar na cabeça quando se proclamasse imperador de Marrocos, partiu finalmente a 25 de Junho com uma armada de 800 velas e um exército de 18.000 homens, em que entravam soldados de todas as proveniências, que já em Lisboa haviam tido varias e gravíssimas rixas. Ao chegar a África, as loucuras continuaram. Foi D. Sebastião quem tudo quis dirigir. Para tomar Larache, que é um porto de mar, desembarcou em Tânger a 17 de Julho de 1578, e seguiu por terra, passando por Arzila e Alcácer Quibir. A marcha em Agosto era pesadíssima para os nossos soldados, que ao chegarem a Alcácer Quibir iam já mortos de fadigas.» in O Portal da História
Tss! Tss!...

10.9.07

Portugal. Esta merda! História não revista para incrédulos 13

Objectivos compridos cumpridos
O Portugal que ficou depois de andarmos na alta-roda de dividir o Mundo com os espanhóis, era outro Portugal. Estabelecemos longe de nós o Fim do Mundo para não andarem a dizer que era aqui. Depois cumprimos os objectivos religiosos dos descobrimentos, quer de proselitismo — mais ou menos o que os Testemunhas de Jeová fazem hoje em dia —, quer de cruzada — demos cabo da cabeça e do negócio aos infiéis (na altura eram eles...) no Indico. Mas ficámos deslumbrados quanto aos objectivos comerciais, em que fomos extraordinários.
Gnheirinho! Gnheirinho! Gnheirinho! Que se entranhou pelo país. Ou seja, foi até às entranhas do país. Foi lá recrutar mão de obra, obviamente. Nessa altura, os barcos, em vez de popa e proa tinham cebolas e alhos, para que os camponeses se pudessem orientar na Carreira das Índias. Umas caravelas que faziam a especiaria fluir e os portugueses viajar pela primeira vez. E assim, o dinheiro aflui-nos à carteira e rapidamente, subiu-nos à cabeça.

4.9.07

Portugal. Esta merda! História não revista para incrédulos 12

A sublime “Arte Tuga”
Como é que um pequeno país chegou tão longe? Esta é a pergunta que se pode fazer, quando cinco séculos depois olhamos para ele... Há diversas razões e uma em especial que não aparece nos livros de História. Claro que, foi necessário ter organização, tecnologia, “escola”, sorte, contexto histórico favorável, etc., etc. Mas, a razão última foi a “arte” portuguesa por excelência: o Desenrascanço! Muito mal visto hoje em dia, porque é utilizado, não como cereja no topo do bolo, mas como substituto da organização e do planeamento. O Desenrascanço é uma capacidade imensa de inventarmos coisas, soluções, maneiras, razões, subterfúgios, etc., etc., para fazermos o que é preciso fazer ou chegar onde é preciso chegar. Implica uma fusão do ser com o que o rodeia. Um ser com flexibilidade e com inteligência interagindo com o inexorável que o rodeia com vista a resolver um problema.
Foi algo que aprendemos desde que nos tornámos independentes e aprimorámos com o Oceano e com o Vento que até "virámos" a nosso favor. No fundo, a “arte” de conseguir navegar à bolina, que como sabem implica um certo zigue-zaguear para chegarmos onde o vento não nos levaria de outra forma. Visto de longe, de resto, parecemos um pouco tontinhos... Mas chegamos lá.