11.5.06

Uma coisa que ouvi dizer

Enquanto o meu patrão continuar a fazer de conta que eu ganho muito dinheiro, eu vou continuar a fazer de conta que trabalho muito.

10.5.06

Toda a gente anda a tentar alguma coisa IV

O importante é tentar. Quantas coisas não começam por um: Vamos tentar! Por exemplo os casamentos de hoje em dia. A resposta ao padre já não é “sim, aceito”, agora é: “Bora lá tentar!”
E se não der, não vem mal nenhum ao mundo — tenta-se outra vez: “Portugal, com um crescimento de 89%, é o país da UE-15 onde se verificou o maior aumento da taxa de divórcios entre 1995 e 2004.”
Alguém quer casar comigo?!
Homem sensível, inteligente, com sentido de humor, bom conversador, educado, saudável, humano, pragmático e humilde procura mulher carinhosa, moderna, consequente, com amor próprio, graciosa, sensual, consciente, ambiciosa e tolerante para casamento a termo certo (a combinar). Na cozinha, cozinho eu, no quarto, ela. (preferencial)

9.5.06

Toda a gente anda a tentar alguma coisa III


O que está mesmo na moda é tentar deixar de fumar. Já não há fumadores: só gente a deixar de fumar. Dantes a moda era começar a fumar assim que se saia da escola primária, agora a moda é deixar de fumar ainda antes de deixar as fraldas.

8.5.06

Querida mãe

Basta um estudo ser feito no estrangeiro para ser uma verdade absoluta. Mas eu acho mal. Acho que devemos desconfiar dos estudos que nos tentam ingrupir!
Há uns tempos foi publicado mais um estudo parvo que nos põe na cauda da Europa (o que eu acho um pouco apaneleirado). Dizia que em Portugal só um terço das mães amamentam os filhos até aos seis meses! Não percebi, porém, se os restantes são amamentados pelo pai.
Mas, concluía o estudo, que em Portugal mamamos pouco. Pouco?... Nada mais errado: o que não falta para aí são mamões! Anda tudo à mama!... Uns andam a mamar à conta do estado, outros andam a mamar à conta dos empregados, outros andam a mamar à conta dos patrões, outros andam a mamar à conta dos subsídios, outros andam a mamar à nossa conta e depois há os outros que andam à conta das mamadas… mas isso é outra coisa…
Portugal tem até uma tradição de mamões profissionais, que são os que andam indefinidamente a mamar à conta dos pais. Eu confesso, eu próprio fui mamão até muito tarde! Mas isso não é nada, tenho um amigo que é bem mais velho que eu e que ainda vive em casa dos pais. Mas agora está a passar por uma fase má. É que desde que se reformou passa muito tempo em casa e a mãe dá-lhe cabo da cabeça.

6.5.06

Toda a gente anda a tentar alguma coisa II

Dizem que nós portugueses somos muito atrasados, mas nós até andamos a tentar chegar a horas aos sítios. O problema é que, com pressa, ficamos muito confundidos e complicamos tudo. E depois temos um azar terrível, é que as pessoas passam a vida a tentar ir para onde nós vamos à mesma hora que nós!

5.5.06

Eu?!...

Quando questionadas, as pessoas nunca são uma coisa nem outra!

4.5.06

Toda a gente anda a tentar alguma coisa I

Os portugueses, em geral, andam a tentar enriquecer e para isso trabalham e esforçam-se… por jogar todas as semanas no euromilhões.

3.5.06

Coisitas

Era um carro tão velho que já tinha idade para votar e até para conduzir!

Era um gajo tão calão que nem para arrotar abria a boca

Um dos maiores problemas dos jogadores de futebol são as faltas de cabeça.

Origem do nome: “Isto é a Casa Pia. Aqui ninguém pia!”
Hoje devia ser Casa Piaram.

Com a concentração dos média qualquer dia as palavras cruzadas e o sudoku são iguais em todos os jornais.

Era um protestante. Estava sempre a protestar.

O que é que um bombeiro português faz num incêndio florestal de grandes proporções? Fica feliz a ver passar os aviões.

Informulheres

As mulheres são como os computadores: quando finalmente nos habituamos a elas e às suas limitações, aparece um modelo novo, mais rápido, mais bonito e mais caro. E nós, lá somos obrigados a trocar...

1.5.06

Eis um país sem futuro!


“Portugal vai receber policias e magistrados iraquianos que, a partir do Verão vão ser treinados e receber formação em matéria criminal no País.” Mais: “Caberá à GNR encabeçar o projecto, no âmbito da cooperação da União Europeia para a estabilização do Iraque.”
Coitados dos iraquianos, estão mesmo numa maré de azar. Invadidos, ocupados e à beira de uma guerra civil, tão desmentida pelos americanos como o Ministro da Informação de Saddam desmentia a invasão, agora ainda vão ter polícias ensinados pela GNR portuguesa e magistrados formados pela magistratura portuguesa!
Os polícias iraquianos que não têm bigode já estão a deixa-lo crescer como preparação para a formação. A formação consistirá em aprenderem a passar multas, a serem subornados, a andar a cavalo, a beber em serviço e a jogar à sueca no quartel. Vão também ter que ganhar sotaque de Viseu e aplicá-lo ao árabe. Um deles vai ter que aprender a falar sem dizer asneiras para falar das operações aos jornalistas. As principais operações que vão aprender em Portugal para aplicar no Iraque, são as operações de Natal, as operações de Páscoa e outras operações mais pequenas como as operações à paisana às casas de alterne locais.
Já os magistrados têm pior sorte: vão ter que aprender a fechar deficientes em quartos escuros e treinar a escrever a palavra “Prescrito”, também em àrabe.
Nada disto vai ser fácil se pensarmos que a formação vai toda ser dada por gestos, considerando que as únicas línguas que os GNR portugueses conhecem é a portuguesa e a língua de vaca estufada com batata cozida.
Finalmente é de referir que os formandos estão proibidos de andar fora do local da formação porque correm o risco de serem presos pela própria GNR, por causa do aspecto… E não vão eles fugir!

O (h)óbice!


Vasco Pulido Valente, diz que Portugal não tem futuro nenhum: “um fracasso”, escreveu ele. Corri imediatamente para casa dele (que não faço a mínima ideia de onde seja, mas que gosto de pensar que é no Restelo) para tentar evitar o pior. Mas afinal, tinha sido apenas da disposição com que ele acordou no dia em que escreveu o artigo e não havia razões para me preocupar. Ao acordar, deu um ligeiro soluço ou arroto (não sabe bem) e pensou: este país é um fracasso! Até fiquei com a ideia, que apesar de ele ter acabado com o próprio blog, ainda não se mudou para o tempo do Eça.
Retive então, apenas, a ideia do fracasso, deste país que “não encontra com certeza razão para a sua própria sobrevivência”. Retive-a por segundos, escrevi-a aqui e depois mandei-a fora. Porque eu percebo que era melhor ser um comentador-mor de um país poderoso e cheio de futuro. Mas não. O destino reservou a VPV um país que leva muito tempo a recuperar das coisas e 32 anos, para nós, é apenas o tempo suficiente para nos prepararmos para começar… Depois, o destino pregou-lhe outra rasteira e nessa, eu estou com VPV: na última página do Público, Valente está embaraçosamente por baixo do Calvin a competir com o Hobbes. Isto pode perfeitamente ser razão de depressão profunda, sobretudo se pensarmos no alcance mundial do pequeno Calvin (2000 jornais no mundo inteiro) e no facto dos Hobbes terem "uma visão obscura da natureza humana" muito mais estranha que a de VPV.
A inveja. A inveja é de facto, uma característica nacional, mas francamente nem nos podemos arrogar de ser nossa, ou sequer de a termos mais que os outros. Aliás, nós portugueses temos tanto ou mais futuro que os outros. Verdadeiramente, só temos dois problemas: somos pobres e atrasados. E já o somos há muito tempo, não é de agora. Mas isto, é uma coisa que vai passando com o tempo. Leva é tempo. Mas com quase 900 anos de história, porque raio havíamos de ter pressa?! E depois, enquanto não morrer o último contemporâneo do Salazar, isto não pode melhorar muito. E nós queremos que o Vasco dure muitos anos. Porque o Calvin & Hobbes já acabou há mais de dez anos!

28.4.06

É preciso polir o regime com uma cunha afiada

Cavaco discursou no 25 de Abril. É uma pouca vergonha. Desde a fundação do país que não se via uma coisa assim: Cavaco a discursar como Presidente da República, no 25 de Abril! Assim, como é que querem que o país ande para a frente? Com situações absurdas destas, qualquer dia, qualquer um discursa no 25 de Abril. Como se isto não bastasse, o senhor Presidente, não só falou, como ainda teve a lata de dizer coisas! Teve ainda a desfaçatez de não dar nenhuma no cravo e muito menos, uma que fosse, na ferradura. Assim não! (Pausa para limpar a espuma e dar outro trago no puro malte.)
Ainda se não tivesse dito nada, ou mesmo se tivesse dito outra coisa qualquer! Mas não. Disse o que disse e o que lhe apeteceu. A minha mulher é que tem razão: Era corrê-los ao pontapé. E por falar em pontapé, bem dizia um ilustre vizinho meu, o Senhor Zé Sapateiro: Quanto mais se usa o sapato, mais as solas se gastam!

Uns anos e um papa depois…


Prevê-se que o documento final da igreja católica, de aceitação do uso do preservativo em caso de contágio de sida, esteja pronto já depois da erradicação da mesma. Os bispos portugueses, entretanto, consideraram o preservativo como um “mal menor”. Mas isso é um problema deles, eu costumo comprar dos grandes. Os bispos americanos, esses, agradecem, alegando que assim nunca mais serão apanhados por causa de amostras de sémen nas roupas dos miúdos.

27.4.06

Curso para mulheres

Era uma “loira-burra” cujo único interesse eram os homens. Foi para a Universidade estudar Antropologia. Formou-se com distinção. Hoje, é antropóloga e exerce.

26.4.06

Coisas de comer

"Isto sabe-me muito melhor quando estou com fome!"

24.4.06

Comentário

O Abrupto tosse e a blogosfera constipa-se.

32 anos depois



Os verdadeiros países mediterrânicos olham para as águas do belo Mediterrâneo, quentes e calmas e percebem que se trata, não de um verdadeiro mar, mas de um caldo sopeiro de onde nem os peixes saem em condições de fazer uma refeição digna desse nome. É um mar pindérico e até um pouco maricas. E nós, que nos deixamos apelidar de mediterrânicos e nem sequer lhe sentimos o cheiro nauseabundo, não andamos longe.
O Algarve ainda sente as correntes quentes do Mediterrâneo e talvez por isso, até muito tarde era um reino à parte. E só o deixámos fazer parte do país para o podermos “vender” aos ingleses.
Já o resto do país está todo virado ao Atlântico. Isso sempre foi um problema para nós. O Atlântico é forte, bravo, frio e indomavelmente apelativo… para a contemplação. Enquanto os países mediterrânicos olham o seu mar com a sobranceria do dono, nós portugueses, olhamos para o oceano com reverência. Só uma vez nos achámos capazes de o vencer e descobrimos o resto do mundo. Mas ainda não percebi o que correu mal dessa vez.
Certo é que, depois de vencermos o velho oceano nunca mais tivemos coragem para fazer nada. Mas depois de vencer tamanho gigante, que mais poderá haver de interessante para fazermos? No limite, fizemos uma revolução calma e sem grandes brigas porque cansados já todos andavam do regime anterior. Afinal de contas só os cubanos (e brevemente os madeirenses) têm a chinesa paciência para um regime ditatorial como nós.
Entretanto, e desde um velho que havia no Restelo sempre a dizer mal do Belenenses, o nosso desporto é dizer mal da vida e do País. Sempre com queixas. Sempre pessimistas, negativistas, desalentados, deprimidos, críticos, cínicos, tristes e com uma sensação estranha de que alguém nos está a enrabar suavemente.
É por isso é que eu gosto de brasileiros, eles vivem cá no mesmo país que nós mas continuam a dizer bem do país! Todos sabemos que é mentira, mas fica-lhes bem e eu gosto de ouvir. Alguém tem que dizer bem disto! E eles, que no Brasil se sentem enrabados a sangue frio, sabem melhor que ninguém o que é bom!
Nós devíamos começar a aprender com eles. É por isso que acho bem que nós, pobres portugueses desgraçadinhos, façamos cada vez mais viagens de sonho, simples férias e muitas luas-de-mel à América do Sul. Para ver se aprendemos de uma vez por todas a saber comparar o nosso País. Saiam lá dos “resorts” nem que seja umas horitas e depois digam lá se Portugal não é o melhor país da América do Sul!
Porque não faz muito sentido nós andarmos a comparar Portugal aos outros países da Europa. Nem para nós nem para a Europa. Porque ficamos sempre em últimos em tudo e é por isso que andam para aí a dizer que estamos na cauda da Europa…
Mas olhem para o mapa, reparem que Portugal parece a cara da Europa?... Sendo que a Espanha é a cabeça e a Galiza a popa. O resto não sei onde está, mas desconfio da Suécia nas moedas de euro como sendo o pénis em descanso e claro, uma das botas é a Itália. E a minha pergunta é: se Portugal é a cara da Europa, e nós estamos na cauda da Europa, será que a Europa tem cara cú?
Eu acho que não. Mas a verdade é que, a sermos a cara, a Europa é feia como um trovão. Já viram a penca que temos? É pior que a do Júlio Isidro! Bem, talvez nem tanto…
Mas nós não nos devíamos queixar e lamentar. Nem sei como não nos cansamos. Acho que devíamos era perceber que isto não é mau de todo. Devíamos apreciar o que temos, aproveitar ao máximo! Porque a tendência é para isto piorar muito.
Não é para ser pessimista, nem negativista, nem crítico mas eu acho que isto vai ficar muito, muito pior. Acho mesmo que é o fim do mundo tal como o conhecemos. Ou pelo menos, o fim de Portugal tal como o conhecemos. Digo isto porque toda a gente diz que finalmente o Governo está fazer o que devia pelo País. E eu acho isto muito estranho e tenho medo! Por este andar, qualquer dia, até os deputados começam a ir à Assembleia e a… trabalhar… sei lá, estou confundido.

21.4.06

Coisas de homens

Finalmente foi aprovada a lei que obriga os partidos a incluir nas suas listas de incompetentes um terço de mulheres. As mulheres incompetentes têm tanto direito a estar na política partidária como os seus incompetentes pares masculinos.
Mas a lei foi tirada a ferros depois de um regabofe típico de mulheres histéricas e desesperadas protagonizado por um bando de homens e por Paulo Portas e Jaime Gama. Depois de resolvida a questão, com o BE a salvar a honra do PS, alguns deputados afirmaram ter-se tratado de um pontapé no baixo ventre.
Os queixosos são de resto, os que na próxima legislatura, ou mudam de sexo ou não se poderão candidatar. A bebida da moda na Assembleia a partir de agora serão os cocktails de hormonas. Portas e Gama não parecem precisar.

20.4.06

Em primeira mão

Quatro jovens “perdidos de bêbados” estavam a agredir violentamente um sinal de trânsito porque este se recusava a indicar-lhe o caminho para a próxima festa. Mas, o pobre do sinal não sabia e levou das boas. Quando a polícia chegou tudo parecia uma normal intervenção policial. Mas eis quando, um dos agentes percebeu que o sinal de trânsito lhe era familiar. Era de facto um primo afastado. Aqui o pobre homem perdeu a cabeça. E perguntou primeiro aos jovens se os pais alguma vez lhe tinham dado umas palmadas no rabo quando eram pequenos. Todos disseram que sim, menos um. O policia passou-se, perguntou-lhe se ele não sabia que segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal de Justiça, isso é necessário, juntamente com o a apresentação do BI, claro está. E prontificou-se a dar-lhe logo ali, umas valentes porradas. Só não percebo porque é que há pessoas que filmam estes acontecimentos absolutamente banais nas ruas das cidades portuguesas, em que a autoridade apenas segue as ordens do soberano poder judicial.

Salvador do Baía

Bento XVI também confessou que sofreu pressões para que Vítor Baía fosse ao Mundial, mas admitiu nada poder fazer. E se os papas não conseguem, então Baía só irá à Alemanha se Cristo descer à terra. Marcelo Rebelo de Sousa já disse que não via razões para isso, por três razões: primeiro porque já ninguém quer comprar o Baia e depois porque pela primeira vez leu um livro do princípio ao fim — o de Baía — e não gostou. A propósito, disse que enquanto os jogadores de campo se podem dar ao luxo de escrever um livro com os pés, de um guarda-redes espera-se que ele o escreva com as mãos. Os fãs mais fanáticos dizem que Baía dá para os dois lados.