3.10.06

Do esforço
— Trabalhei noite e dia para chegar aqui acima...
— E pensar que agora, basta o meu pequeno empurrão para em segundos, chegares lá abaixo.

Das coisas da vida
— Larguei tudo para viver contigo...
— Sempre tiveste a mania de te agarrares a coisas de merda.

Da distância
— Percorri 1000 quilómetros para vir ter contigo...
— Ninguém te manda ires para tão longe.

2.10.06

Dos médicos

Acabou o dia estafado. Angustiado. Maçado. Trinta clientes num só dia e a todos tinha receitado o mesmo. Estava aborrecido. A única coisa que o animava era a viagem que iria fazer à conta do medicamento.

Coisas que ficam bem num retrato

30.9.06

Ele há coisas! V

"Venho cá (ao Algarve) no Verão desde a fundação da Nacionalidade."
Fernando Gomes in TV7Dias

29.9.06

Dos problemas de expressão


“Os franceses estão sempre a dizer ‘Je t’aime’ por tudo e por nada.”

Os americanos dizem “I love you” várias vezes ao dia mas lamentam sempre, quando alguém morre, nunca lho terem dito.

“Já os italianos dizem pouco ‘Ti amo’. Com medo que um dia se torne realidade.

“Os ingleses nunca dizem ‘I love you’, com medo que um dia se torne mentira.”

Quanto aos portugueses, a Elsa Raposo diz “Eu amo-te” todos os dias sempre a homens diferentes e o Zézé Camarinha di-lo em todas as línguas, várias vezes ao dia e na esmagadora maioria das vezes nem sabe o nome delas.

Todos os outros acham que “Devia ser como no cinema,/A língua inglesa fica sempre bem/E nunca atraiçoa ninguém”.

Os alentejanos dizem simplesmente “amo-te, porra!”.

28.9.06

Das lambidelas

Gostava de lhe lamber os lábios. Tanto os grandes como os pequenos.

27.9.06

Das posições

Tentou reclinado. Mas era difícil.
Tentou de joelhos. Complicado, muito complicado.
Tentou sentado. Estranho, demasiado estranho.
Conformou-se em ter que limpar a sanita todas as manhãs.

26.9.06

Da cabeça

Virou a cabeça para um lado e só viu pó e pedras. Virou a cabeça para o outro lado e só viu pó e pedras. Olhou para cima e viu a terra distante. Concluiu que andava novamente com a cabeça na lua.

Dos ditadores

Do Salazar
As únicas pessoas que têm razões para dizer que isto no tempo do Salazar era muito melhor, são as que morreram antes dele.

Das esquinas
Não acho mal que pusessem um Salazar em cada esquina. Desde que ele fosse lavadinho e levasse barato...

Do fim
O problema mesmo, é a mera hipótese de o homem mais poderoso do mundo poder ser um completo imbecil.

25.9.06

Dos provérbios

Da prisão
Foi preso por não ter cão. Ironicamente ficou na mesma cela do homem que foi preso por ter cão.

Das galinhas
Ouviu o provérbio. Pensou por momentos. Pegou na galinha e foi oferecê-la à vizinha. Assim, pelo menos, a melhor galinha já tinha sido dele.

Dos espertos
Nunca fazia a cama. Pedia sempre à mulher. Não gostava de se deitar nas camas que fazia.

23.9.06

Do Portugal

Não é bem um país... É antes, um território cheio de boas intenções.

21.9.06

Do nada

O que é pai? — Nada de importante filho... é só um homem assustado com uma arma na mão.

Da letra L
A minha avó dizia sempre: antes lésbicas do que putas. Era fresca, a velha...

Das explicações
Conseguia explicar tudo e ter uma explicação plausível para tudo. Para tudo, excepto o fora-de-jogo.

Do amor
Apesar de tudo, vivemos na Era do Amor — a do amor-próprio.

19.9.06

Actualidades

Da má criação
Em Madrid, num desfile de moda, as modelos mais magras foram recusadas e ficaram à porta. Estive a pensar longamente e cheguei à conclusão que me posso oferecer para ficar com uma ou duas. E só não fico com mais, porque ainda aqui tenho duas cadelas e três gatos abandonados deste Verão.

Se acabarem com as modelos esqueléticas estão a tirar a última réstia de auto-estima de milhares de jovens subnutridas por essa África fora.

Do progresso
Finalmente, um sinal de progresso no Arquipélago dos Açores – já fica na rota dos furacões.

Das juras
Com a nova novela da SIC vamos finalmente poder ver o que os actores passam o tempo a fazer quando não estão a fazer novelas.

Desde que começaram as gravações de Jura, que as actrizes não consegue fazer amor sem pelo menos 20 pessoas no quarto a ver. E Pepê Rapazote já só consegue ter uma erecção se alguém gritar "Acção".

Dos carros
Ansiava pelo dia em que tivesse a carta, em que tivesse o seu carro e finalmente pudesse dar uma queca no banco de trás. Correu mal, partiu a coluna e ficou impotente. Ninguém lhe explicou que o carro devia estar parado.

Do dinheiro
Mas desculpe, a senhora é puta por necessidade ou por opção? — Por dinheiro, filho, por dinheiro...

Dos 40 anos
O temível ditador não fumava, não bebia, não fodia e tinha medo de andar de avião... Não era uma ditadura séria!...

18.9.06

Do pessimismo

Era tão pessimista, tão pessimista que lhe chamavam "o português".

16.9.06

Das piadas ou a comédia autofágica (3 e último)

A sua pessoa era uma piada de mau gosto, a sua existência uma anedota e a sua vida sexual uma gargalhada – tornou-se comediante.

Só fazia piadas sobre piadas. E só as piadas se riam.

Era especialista em piadas negativas – em vez de fazerem rir, faziam chorar.

Era daqueles que tinha a mania de pedir piadas emprestadas e nunca as devolvia. Um dia lixaram-no. Em vez de uma piada deram-lhe uma anedota batida.

Dizia sempre que mais valia perder uma pitada que perder a piada.

Teve uma zanga com a sua melhor piada e ela despediu-se — tornou-se numa anedota livre.

Há miúdas com muita piada! E no entanto, os homens quando as vêem só querem chorar.

Andava sempre com uma ou duas piadas muito duras no bolso. E era com elas que conquistava as miúdas.

Era um artesão da comédia – só fazia piadas por medida.

14.9.06

Das piadas ou a comédia autofágica (2)

Tinha sempre uma piada na manga. Um dia descobriram e mataram-no – não gostavam de batoteiros.

Pegava no bloco de piadas e numa caneta, sentava-se na sanita e escrevia, escrevia... Eram piadas de merda, mas quando acabava sentia-se mais aliviado.

Quando teve a ideia, riram-se dele. Quando montou a fábrica, riram-se dele. Quando começou a vender as piadas embaladas no vácuo, para se rirem, tiveram que pagar.

Era um comediante maniqueísta – dividia as pessoas em dois tipos: os que se riam das suas piadas e os que não tinham sentido de humor.

Das piadas ou a comédia autofágica (1)

Cansada de ficar sempre para o fim, um dia a punch line resolveu aparecer de início. O setup foi o único a rir-se.

Convidou-a para sair, levou a jantar, pagou-lhe um copo e levou-a para casa. Finalmente nessa noite conseguiu fazê-la. Há piadas muito difíceis...

Só aceitava comediantes com piadas muito secas no seu bar. Estava convencido que assim os clientes bebiam mais.

11.9.06

Das conspirações e das pernas para o ar

Morreram 2973 pessoas, caíram duas torres e quatro aviões. Iniciaram-se duas guerras convencionais, houve mais uns quantos ataques, reelegeram um imbecil e o mundo mudou. Passaram-se cinco anos. E os americanos ainda têm dúvidas sobre o que se passou no dia 11 de Setembro de 2001?!