14.4.07

Do absentismo
Acusado de absentismo crónico defendeu-se dizendo que pelo menos nisso era “certinho”.

Dos navios
No emprego desculpava-se com a mulher; em casa desculpava-se com os amigos; com os amigos desculpava-se com a amante; com a amante desculpava-se com o emprego. O tempo, passava-o à beira mar a ver passar os navios.

Das leis da natureza
Era um pai tão ausente, que só a lei natural afiançava da sua existência.

Da ausência
A sua ausência era a sua maior virtude.

13.4.07

Para o ano há mais

Hurra! Viva! Uou! Eeeeh! Iiiau! Ah, oooh! Ah, ooooh! Fantástico, extraordinário! Incrível, magnífico! Senhores e senhoras, nesta Páscoa, feitas as contas, pelas Autoridades Competentíssimas, entre 29 de Março e 9 de Abril — numa singela dúzia de dias — só houve a registar, nada mais nada menos, que apenas, e só, 6 pessoas mortas em acidentes de viação, apenas mais quatro que o ano passado, num total de 1895 acidentes, 217 menos que o ano passado — imagine-se — com mais de 400 feridos ligeiros e apenas 40 feridos prestes a bater a bota, em apenas mais sete que o ano passado. É magnífico, é incrível! E também extraordinário. E nada disto aconteceria se o primeiro-ministro fosse mesmo engenheiro. É lamentável.

12.4.07

Do passado

Se voltasse atrás?... O que é que mudava?... Tudo! Desde logo, hoje de manhã, tinha levado o chapéu de chuva.

11.4.07

Da generosidade

A pudica amiga confrontava-a pelas quecas diferentes que ela dava. E dizia-lhe na cara que ela estava muito perto do que faziam as prostitutas!
Ela dizia-lhe então, que, considerando que o serviço de prostituição é pago e que ela não leva dinheiro, só podia ser beneficência.

10.4.07

Das insinuações torpes

Mas porque é que não dizem de uma vez por todas, que a mulher de César era uma puta do caralho.

9.4.07

Dos Papas

Ainda a recuperar da surpresa, da magia e da responsabilidade, um funcionário anunciou-lhe o momento de receber e ler a carta. — Qual carta? — A carta sagrada! Uma missiva secreta que só os recém eleitos podem ler uma só vez e cuja origem se esqueceu no tempo. Já sozinho, pegou no velho papel com todo o cuidado e leu: “Parabéns. Deus não existe, agora desenrasca-te. Deus te abençoe. P.”

6.4.07

Dos feios

Era tão feio, que nem os gays o aceitaram.

5.4.07

Das sobras

As mulheres hoje em dia, metem dentro das calças o que cabe e, o que sobra, deixam de fora.

3.4.07

Do fardo

O que o chateia relativamente à pobreza que há no mundo, não é tanto que hajam pessoas que não têm nada. O que o chateia mesmo, é que, tendo ele tudo, não pode ter mais isso – não haver pobreza no mundo.

2.4.07

Da inveja

— Oh mamã! Porque é que ele pode passar o tempo a brincar e a ver televisão e eu não?
— Não fales assim do teu pai...

31.3.07

Da simultaneidade

— Minha querida, a única maneira de conseguirmos ter um orgasmo em simultâneo, é tu seres honesta a gemer: não te calares que nem um mono; nem gemeres como se estivesses num anúncio a champôs... ou a ser enrabada à força!

30.3.07

Das metáforas

Falava sempre por metáforas. Para atenuar a violência do óbvio.

Das paralógicas
Falava sempre por metáforas que se faziam ouvir e causavam no outro uma sensação de ter bebido daquela sabedoria. Mas não era tanto por isso que usava as metáforas. Na verdade nunca se lembrava da questão em concreto. Por isso, construía metáforas em volta da ideia que tinha da questão, até finalmente se lembrar, verdadeiramente, dela.

28.3.07

Dos desdentados

Ser desdentado é uma desvantagem tremenda. É preferível ter os dentes todos. Sobretudo para mentir...

Dos portugueses

Os portugueses passam a vida a dizer dos outros, que este país não anda para a frente por causa deles. E têm razão. Todos.

Reciclagem (ou a primeira retrospectiva, que, por acaso, não é grande coisa!)
Do cinzentismo Do Só Neste País Dos três problemas possíveis Pior Português e/ou Grande Português Das vergonhas à mostra Porque sim Da "intolorância" Dos começos Do pessimismo e dos remorsos Do Salazar Do Portugal Dos homens

26.3.07

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E ali se abandonava, languidamente, a reflectir... no espelho.

Das brigas

Lastimava-se de chegar sempre atrasado quando havia uma briga. Um dia chegou a tempo de lhe partirem os dentes e de lhe incharem um olho. Ficou contente.

24.3.07

Dos líderes

Não nego o dolo. Mas não subestimo a incompetência.

23.3.07

Do relógio da cozinha

Sempre atrasado, mantinha todos os relógios em futuros diferentes. Excepto o da cozinha, sempre certinho, sempre cruel, pelo qual ganhou um forte ressentimento...

22.3.07

Actualidades


Da caturreira da linha
O país sob o governo socialista deve estar a ir muito bem, considerando que a direita até se dá ao luxo de andar a brincar aos partidos.

Da caturreira da caparica
Com tanta gente a dizer mal dele, a espezinhá-lo e estragá-lo, não me admira que o território português se esteja a mandar ao mar.

Dia mundial da...coisa!

Na minha leitura habitual pelos jornais fiquei a saber que hoje se assinala o dia mundial da árvore e o dia mundial da poesia.
È impressão minha, ou é um bocado estranho que no mesmo dia se juntem arvores e poesia? Não será a poesia responsável pelo abate de algumas árvores?
Depois de reflectir sobre estas questões, concluí que são destruídas mais arvores em Portugal devido a beatas acesas, beatas escritoras e papel higiénico, do que com os livros de poesia.
Mas, já que estou a falar de beatas escritoras, incêndios e papel higiénico, permitam-me dizer que, também há por aí muito livro que não serve nem para fazer um churrasco, nem para limpar o cu.