14.9.07

Da linguagem gestual

Passava o tempo a ver noticiário na televisão sem ouvir notícia nenhuma — só conseguia olhar para a menina dos gestos. E pensava: “Que par de mamas... Assim dá gosto ser surdo.”

Do triplo ineditismo

Nunca pensei vir a estar tão orgulhoso dos betos! Aliás, nunca pensei vir a estar tão orgulhoso dos betos portugueses. Sobretudo, nunca pensei vir a estar orgulhoso dos betos portugueses do rugby.

Portugal. Esta merda! História não revista para incrédulos 14

Estilo de morrer
Se disséssemos que o estilo Manuelino era um estilo do Fim do Mundo, por um lado estaríamos certos, mas por outro não era tecnicamente verdade, porque o mundo já não acabava aqui. O que também não acabava, era todo um rol de riquezas que nos chegavam, incluindo um rinoceronte! Do rinoceronte ao Quinto Império foi um tirinho. Pouco depois fomos à falência. A culpa? Bom, no fundo, a culpa é de um puto que foi curtir para Alcácer Quibir.
«Completamente desvairado, tendo-se munido da espada de D. Afonso Henriques que mandara pedir a Santa Cruz de Coimbra, e de uma coroa de ouro que devia colocar na cabeça quando se proclamasse imperador de Marrocos, partiu finalmente a 25 de Junho com uma armada de 800 velas e um exército de 18.000 homens, em que entravam soldados de todas as proveniências, que já em Lisboa haviam tido varias e gravíssimas rixas. Ao chegar a África, as loucuras continuaram. Foi D. Sebastião quem tudo quis dirigir. Para tomar Larache, que é um porto de mar, desembarcou em Tânger a 17 de Julho de 1578, e seguiu por terra, passando por Arzila e Alcácer Quibir. A marcha em Agosto era pesadíssima para os nossos soldados, que ao chegarem a Alcácer Quibir iam já mortos de fadigas.» in O Portal da História
Tss! Tss!...

13.9.07

Coisas que oiço dizer

"Os outros caralhos receberam o Bush, nas Lajes, de pernas abertas e agora estes conas não recebem o Dalai Lama. Foda-se! Os do antigamente é que tinham razão. Cada caralho sua sentença!”

Scolari já é português!

Aquilo não foi agressão, vê-se bem. É diferente. É preciso ter em conta a intensidade... Temos que perceber que o futebol é um jogo viril e às vezes no final do jogo trocam-se mimos. Neste contexto, Scolari estava no fundo a puxar a bochechinha ao sérvio. Dá bem para ver ele a dizer-lhe: “olha ó sérviozinho lindo, olha...” Tunga!

Ou se calhar... Estava fodido. Sabia que o iam massacrar. E pensou: “Ah é! Massacrar, massacram, mas pelo menos vou molhar a sopa.”

“Toma lá que já aviaste. Esta é pelo Milosevic. E se cá voltares levas outra pelo Josip Broz*.”

Scolari planeou tudo. A ideia é ver até onde Gilberto Madaíl consegue chegar.

Mas gosto da forma como Scolari justifica o facto de mal conseguir dar um soco na cara de um jogador: diz que não foi nada e que isto é normal nestes jogos...

Pela primeira vez vi o seleccionador nacional a defender o Quaresma! Finalmente.

Ontem um deputado brasileiro andou à porrada com uns seguranças no Senado. Portanto deve ser uma tradição sazonal.

Há quatro anos em Portugal, Scolari continua a aprender o português de Portugal. Ele já tinha aprendido que “banco” é “caixa”. Mas isso não é nada de especial. No Brasil os bancos são todos maus, lentos e disfuncionais.

O que ele ainda não tinha aprendido, mas agora aprendeu, é que “apuramento” em Portugal, é “contas” e “maus resultados” é “porrada”.

Ou: É o que dá andar a jogar para picar o ponto com vitórias em casa e empates fora. E sobretudo a defender resultados manhosos.

O mais extraordinário é que é possível que Scolari acredite realmente que tem perdido por azar ou por causa do árbitro e, sobretudo, que ninguém vai perceber que aquele gesto, afinal, não foi para puxar a bochechinha do sérvio.

Scolari-segundo-no-euro-quarto-no-mundial já era contestado. Agora, sem ainda ter sido afastado do Europeu, caiu-lhe o céu em cima. É que nem uma desculpazinha...

E está à vista como funciona a relação entre Scolari e Madaíl... O Madaíl gosta de apanhar... Marotos...

* - Josip Broz Tito.

12.9.07

Do prazo de validade

Um homem sabe que não dá uma queca há muito tempo quando os preservativos de bolso passam de validade.

Independência “Pour les Flamands”

Quando o dinheiro falava francês e o trabalho flamengo, a coisa corria como na segunda guerra mundial em que os soldados franceses gritavam as ordens em francês e a seguir diziam "et pour les Flamands, la même chose". Agora, na Bélgica, o dinheiro fala flamengo e os franceses descobriram que não gostam muito de trabalhar sob as ordens dos flamengos...

10.9.07

The plot thickens...

O caso Maddie já estaria arrumado há muito tempo se tivessem logo convidado a Miss Marple para fazer umas férias na Praia da Luz. O próprio Sherlock Holmes não teria dito que não, apesar dos avisos de Watson. E se conseguissem trazer o Capitão Hastings da Argentina, por certo, Hercule Poirot teria tido muito gosto em resolver o Crime da Praia da Luz, apesar do ar do mar lhe fazer ao mal ao estômago.

Coisas que oiço dizer
Quando olho para aquele casal... Penso sempre que a miúda deve ter fugido deles.

Portugal. Esta merda! História não revista para incrédulos 13

Objectivos compridos cumpridos
O Portugal que ficou depois de andarmos na alta-roda de dividir o Mundo com os espanhóis, era outro Portugal. Estabelecemos longe de nós o Fim do Mundo para não andarem a dizer que era aqui. Depois cumprimos os objectivos religiosos dos descobrimentos, quer de proselitismo — mais ou menos o que os Testemunhas de Jeová fazem hoje em dia —, quer de cruzada — demos cabo da cabeça e do negócio aos infiéis (na altura eram eles...) no Indico. Mas ficámos deslumbrados quanto aos objectivos comerciais, em que fomos extraordinários.
Gnheirinho! Gnheirinho! Gnheirinho! Que se entranhou pelo país. Ou seja, foi até às entranhas do país. Foi lá recrutar mão de obra, obviamente. Nessa altura, os barcos, em vez de popa e proa tinham cebolas e alhos, para que os camponeses se pudessem orientar na Carreira das Índias. Umas caravelas que faziam a especiaria fluir e os portugueses viajar pela primeira vez. E assim, o dinheiro aflui-nos à carteira e rapidamente, subiu-nos à cabeça.

7.9.07

Dos entendedores

Ele citou um tipo, a citar outro tipo, que citava um fulano, sobre uma citação dum gajo, que se referia a uma coisa que um bacano um dia disse, sobre alguém que passava a vida a repetir as pessoas. E como dizia o outro...

Coisas do Centro da Europa

As amesterdanesas gostam de passear na bicicleta a sua excêntrica vaidade. Algumas passeiam a sua altivez de países baixos.

5.9.07

Da generosidade

É uma pessoa bondosa que não consegue dizer que não. Em casa, tem uma colecção de Borda d’Água, com dezenas de exemplares de cada ano, e algumas caixas cheias de pensos rápidos. Estima, mesmo, que pode ferir-se todos os dias até ao resto da sua vida.

Actualidades

As Mulheres e os Lobos
As mulheres são discriminadas no diagnóstico e no tratamento de doenças, diz uma análise aos dados dos hospitais públicos. Elas, que vivem até mais tarde mas com mais problemas de saúde, não são levadas a sério pelos médicos. Eu sabia que a ideia peregrina de inventar dores de cabeça para não ter que abrir as pernas havia de dar para o torto...

Clube dos Professores Desempregados
Depois de uma razia nas escolas artísticas Soares dos Reis e António Arroio — em que 67 professores foram à vida deles e os outros viram os horários e os ordenados reduzidos —, um professor da António Arroio, disse que "se o salário é baixo e nos tratam assim, o amor à camisola acaba por não compensar". Será que o amor não compensa?! Eis o drama.

É preciso perceber o drama dos professores que ficaram no desemprego. Não podendo leccionar, o que é que eles vão fazer? É dramático. Lembremo-nos que se trata de professores. Eles não sabem fazer nada...

4.9.07

Dos casamentos por fazer

Sei bem que as pessoas arranjam desculpas estranhas para justificar os seus comportamentos. Mas dar como desculpa o funeral da mãe para não ir ao próprio casamento? É de mais... A notícia correu rapidamente pela igreja, primeiro, à boca pequena e depois com alguma indignação. Todos ficaram muito abalados, mas a própria mãe foi a que ficou pior. Vindo mesmo, a falecer.

Portugal. Esta merda! História não revista para incrédulos 12

A sublime “Arte Tuga”
Como é que um pequeno país chegou tão longe? Esta é a pergunta que se pode fazer, quando cinco séculos depois olhamos para ele... Há diversas razões e uma em especial que não aparece nos livros de História. Claro que, foi necessário ter organização, tecnologia, “escola”, sorte, contexto histórico favorável, etc., etc. Mas, a razão última foi a “arte” portuguesa por excelência: o Desenrascanço! Muito mal visto hoje em dia, porque é utilizado, não como cereja no topo do bolo, mas como substituto da organização e do planeamento. O Desenrascanço é uma capacidade imensa de inventarmos coisas, soluções, maneiras, razões, subterfúgios, etc., etc., para fazermos o que é preciso fazer ou chegar onde é preciso chegar. Implica uma fusão do ser com o que o rodeia. Um ser com flexibilidade e com inteligência interagindo com o inexorável que o rodeia com vista a resolver um problema.
Foi algo que aprendemos desde que nos tornámos independentes e aprimorámos com o Oceano e com o Vento que até "virámos" a nosso favor. No fundo, a “arte” de conseguir navegar à bolina, que como sabem implica um certo zigue-zaguear para chegarmos onde o vento não nos levaria de outra forma. Visto de longe, de resto, parecemos um pouco tontinhos... Mas chegamos lá.

3.9.07

Das propostas milionárias

Estou preocupado com as pessoas da Costa do Marfim. É que estão todas cheias de dinheiro e não o podem usar... Ah se eu gostasse de dinheiro... Juro que os ajudava.

Coisas do Centro da Europa

A Flandres já esteve sobre o domínio de espanhóis, austríacos, franceses e holandeses — aliás, quase não houve ninguém que, a certa altura, não invadisse a Flandres. É uma espécie de umbigo da Europa — se alguma coisa se passa, passa-se lá. Talvez por isso, a capital belga que é na Flandres, mas não é, seja também a capital oficial da União Europeia...

E não, não é uma anedota de holandeses, os belgas gostam mesmo muito de batatas fritas...

1.9.07

Dos alcoolizados conscienciosos

Depois do Último Copo, à beira do coma alcoólico:
— Como é? Dás-me boleia ou chamo o INEM?

Portugal. Esta merda! História não revista para incrédulos 11

A globalizar desde 1500
Portugal não tardou a ter o mais interessante império comercial global de sempre. Para terem uma ideia, para a altura, era um império tipo McDonalds — estávamos em todo o lado! Foi pioneiro nesse sentido — lançou as bases do que se passa hoje em dia. Claro que hoje, é tudo numa proporção muito maior. Mas como ainda não há rotas comerciais com a Lua, as fronteiras do nosso não eram muito diferentes das de hoje.
Foi o início do movimento globalizador que está hoje em vigor. Globalização? Em 1500, já nós andávamos a globalizar muitas nativas por esse mundo fora! Isto é um bocado gabarola, mas é a nossa única oportunidade na História Universal!

30.8.07

Da pausa

Não há nada mais importante num trabalho do que aquele momento em que paramos, respiramos fundo e olhamos com calma para a merda que estamos a fazer.