27.2.08

Diário de um homem banal

09:00 – O despertador é o carrasco dos tempos modernos. Se agora, estivesse aqui, uma mulher, seria como juntar a fome à vontade de comer.
10:00 – Já me masturbei, já tomei banho e estou relaxado e preparado para ir trabalhar.
11:00 – Estou excitado com a secretária que hoje trás um top desmazelado e umas calças descaídas. Estou a tentar trabalhar e está a correr bem.
12:00 – Estou muito excitado com a secretária. A culpa é dela que veio buscar uns papéis, mesmo por cima de mim.
13:00 – A secretária saiu. Estou muito excitado com a minha colega. Hoje trouxe um decote de bradar aos céus.
14:00 – Estou a empanturrar-me com Mão de Vaca com Grão e sinto-me bem. A cerveja, e depois o café, ajudam-me a manter a consciência. Nunca me canso de confirmar que a empregada do restaurante é muito gira.
15:00 – Estou muito cheio. Se calhar, é melhor voltar ao emprego. Desde que aqui estou, passaram duas gajas perdidas de boas e estive a galar uma miúda muito gira que estava sentada à minha frente.
16:00 – Ainda mal me consigo mexer, mas estou muito excitado com a secretária.
17h00 – Fui beber café com a secretária e acho que a coisa está bem encaminhada. É pena ser casada.
18h00 – Estou cansado de trabalhar. Esta gente dá cabo de mim. A minha colega é muito boa, mesmo. Vou convidá-la para ir beber umas imperiais.
19h00 – Já bebi duas imperiais. A minha colega não quis vir. Mas o camafeu da empregada do bar parece-me cada vez mais, assim… Exótica! Meu Deus, eu dava cabo da minha colega com muito carinho e muita dedicação, mesmo em cima da secretária dela.
20h00 – Estou atrasado para o jantar. Este metro está cheio de gajas boas, em apenas cinco estações consegui galar duas e nem olhei para o escândalo que ia ao meu lado com um rottweiler sem açaime. Estou muito excitado.
21h00 – Este vinho é fantástico, as entradas estão deliciosas. Mandei vir picanha da boa. Não há como um jantar de amigos com boa conversa.
22h00 – O que é que eu estava mesmo a dizer?…
23h00 – Estou muito satisfeito. Vou fumar um cigarro.
24h00 – O que me apetecia agora era uma gaja. Até podia ser só para falar um bocado que eu ainda estou cheio. É que estou farto de falar com estes gajos.
01:00 – Última chamada para aparecer uma gaja aqui ao meu lado… OK. Venha o Jameson. Com uma pedra de gela se faz favor.
02:?? – Não é nada disso… As gajas são é tramadas. Queria outro se “fbás bfavor”. Sim, com uma pedra. Não, meta “muto” gelo…
- Agora uma pedra, mas pequena que a noite é longa. Ei? Ia ali uma gaja perdida de… É haxixe? Pólen, parece-me bem. Queres que enrole? Aquela é boa, é…
- Olha ali aquela com as calças por baixo do cu. Ahahaha. Eheheheh. Aquela é gira… Muito gira. Vou galá-la…
- Já não vejo gaja nenhuma, caralho. Onde é que elas se meteram?
- Não sei como cheguei a casa. Só não percebo porque é que tenho uma coisa na minha cama a aleijar-me as costas… Afinal é o travão de mão. Estou um bocado "cganszado"…
- Acho que é aqui…
- …
09h00 – Foda-se! Quem será esta gaja?… Eina, bem, parece uma foca. Eu tenho de ir trabalhar rapidamente… Tenho que a pôr a andar daqui para fora…
-- A minha namorada ficou chateada comigo porque eu não a reconheci. Depois demos uma queca de reconciliação. Vou despachar-me para o emprego que combinei com a secretária ir almoçar com ela…

23.2.08

BUM!

Velho, sempre cansado, pobre e atrasado, Portugal agora, revolve-se sobre si próprio, reivindica, contesta, vai à rua e pede, reclama e estrebucha. Está indignado, está exaltado e diz que não aguenta mais. Está desesperado, desempregado, sem dinheiro, endividado, sente-se a sufocar pelo Estado e pede mudança. Pede que tudo mude para que tudo fique na mesma, se faz favor, porque antes assim que pior. Isto já estava mau e agora, um fulano com nome de filósofo começou a mexer em tudo… A mudar as coisas… E isso, não nos parece nada bem. Nada, nada bem. Onde que isto vai parar?…
Ah, portuguesinho de costas voltadas ao sol, não tenhas medo que haverá sempre fila para a sopa dos pobres. Os ricos não te deixarão passar fome, que isso fica-lhes muito caro.
E tu, Tuga de gema, com aquelas coisas – tu sabes bem – na consciência, não te apoquentes que eles não hão-de descobrir como se lê o pensamento. Não temas. Só tens que não morder a mão que te dá de comer. E se morderes, morde com carinho, que nunca soubeste morder de raiva. Porque nem sempre ela te dá de comer. Sabes como ela por vezes te dói? Tens que te portar bem. E como gostas tu, de te portar bem apesar das mentiras que contas…
E tu velho do Restelo, que passas os dias a maldizer tudo e todos, resmungando entre dentes o que não tens coragem de dizer alto e bom som, para poderes dizer depois que bem tinhas avisado. E avisas tanto…
Esperam a bomba, o bum, a desgraça, desgraçadinha que há-de fazer correr o sangue nas valetas? Se passar de uma tempestade rezam a Deus, vão agora esperar o apocalipse? Sempre vos bastou o fim do mundo a que sempre estiveram habituados a ser. Mesmo depois de provarem que havia mundo para além de nós outros… portugueses!
Ah, Portugal, a província de maior sucesso do que havia de se chamar… Como é mesmo? “Espana”, “hespanha”, “spain”? Nada disso: União Europeia! Onde és bom aluno? Um bom aluno que faz batota… Quem diria? Portugal, de Portucale, quem diria que um dia, havias de pertencer à Europa. Ah, como os países ibéricos sempre tiveram importância. Que seria da Europa sem a península do lince da Malcata onde ele já não existe e do Neandertal que aqui se perdeu no tempo? Pouco. Pouco mais.
Como vais tu Portugal, por estes dias do século XXI, quase novecentos anos de história? Como vai isso? Está-se bem, velho?

Estou longe de considerar que o reconhecimento do Kosovo corresponda aos nossos interesses nacionais. Por muito que isso pareça contra-intuitivo em relação à nossa história, não é do interesse nacional qualquer coisa que ajude à fragmentação da Espanha.
José Pacheco Pereira, Público, 23/02/ 2008

Estou certo que muitos dos espectadores europeus destas séries, que acreditam na reencarnação e em forças superiores, são os mesmos que protestam contra a antiga religião oficial do seu país, que comentam os "disparates" de Roma ou da sede da sua igreja nacional enquanto lêem o horóscopo ou verificam a harmonia feng shui dos móveis lá de casa.
Eduardo Cintra Torres, Público, 23/02/ 2008

Madalena Barbosa não foi nunca ministra, não foi nunca secretária de Estado, não foi nunca presidente da comissão. Mas foi determinante e única para o espaço de liberdade e de igualdade que nos últimos 30 anos foi conquistado pelas mulheres portuguesas.
São José Almeida, Público, 23/02/ 2008

E o bastonário da Ordem dos Advogados pode e deve ser a voz das preocupações dos cidadãos quanto a este nevoeiro no funcionamento da máquina da Justiça. Mesmo sabendo-se que "nem tudo o que parece, é" e que "nem tudo o que luz é ouro". E que haverá "fumo sem fogo".
Francisco Teixeira da Mota, Público, 23/02/ 2008

O apoio imediato da Rússia à independência da Abkházia e Ossétia do Sul e as declarações dos líderes do País Basco e de Nagorno Karabakh não são um bom augúrio.
Rodrigo Tavares, Público, 23/02/ 2008

No fundo, os senhores da Sedes não percebem que nenhuma "crise social" (que fazem eles senão descrever sem grande originalidade a que neste momento vivemos?) põe em perigo o suave arranjo da política portuguesa, enquanto Portugal pertencer à "Europa": e os partidos sabem isso muito bem. O destino de Portugal é, como sempre foi, apodrecer ao sol.
Vasco Pulido Valente, Público, 23/02/ 2008

Então porque diz a lei feita sob o mandato de Costa que as autarquias têm de apresentar um "plano de saneamento financeiro para o período a que respeita o empréstimo", neste caso os tais 12 anos? Talvez porque na altura o autarca era ministro e, às vezes, o feitiço se volta contra o feiticeiro.
José Manuel Fernandes, Público, 23/02/ 2008

19.2.08

Punhetas de bacalhau*

Recentemente acabei com a relação mais antiga que tinha. Fartei-me dela e troquei-a pela mão esquerda. Mas não é a mesma coisa.
É verdade que sabe bem experimentar coisas novas mas a esquerda não é tão eficaz como a direita. Uma das grandes novidades é o ritmo da esquerda, muito mais entusiasmante. Por isso, agora faço todo o trabalho com a esquerda, mas acabo o serviço com a direita, enquanto a esquerda apanha os despojos. Assim, ultrapasso dois problemas: o meu velho conhecido final — que é uma parte delicada do processo —, e a inclinação.
Todos os homens têm uma inclinação! O Beethoven tinha inclinação para a música e o Einstein para a física. Já o Camões tinha inclinação para a esquerda, mas era por causa da falta de um olho, e o Sócrates Antigo tinha inclinação para a filosofia. O Sócrates Novo tem inclinação para a direita. Apesar de ser de esquerda... Ele, ao contrário de mim, faz o trabalho todo à direita e depois termina com a esquerda. Assim, a esquerda fica com os louros. Suponho que, como é normal, a direita fique com os despojos…

* O bacalhau foi só para disfarçar

14.2.08

O Melhor do Pior...

O blogue Há vida em Markl lançou um concurso de vídeos para o tema O Pior Acordar do Mundo. Com regras simples e sem exigências técnicas pedia-se “um pequeno filme que documente o pior acordar do planeta”. O passatempo correu agradavelmente bem, com um total de mais de 50 pequenos vídeos muito diversos entre si.
Nuno Markl está de parabéns pela ideia e pelo trabalho que tem vindo a desenvolver no seu blogue que conta já com uma extensa comunidade de adeptos que frequentam o blogue, ouvem os programas de rádio e seguem a carreira de Markl e as suas inúmeras participações, desde o Sexta à Noite ao Dança Comigo. Considero que na carreira de Nuno Markl, vale sempre mais a sua dedicação e esforço do que os resultados obtidos. Prezo muito a sua dedicação ao humor e a sua incrível capacidade de trabalho em detrimento dos resultados do seu trabalho que, regra geral, são muito pobres. Mas é claro que o trabalho e a dedicação podem avaliar-se objectivamente enquanto que, a avaliação dos resultados, tem sempre uma grande carga subjectiva. No entanto, ele próprio admite que os falhanços de muitos dos seus trabalhos, são o principal denominador comum da sua carreira. Em sua defesa tenho a dizer que Markl sofre de um problema que o afecta muito: Markl é e quer ser uma espécie de humorista série B, Z e quejandos num país que nem tem uma série A. Por isso dão-lhe trabalhos “mainstream”, quando ele gostaria de estar a trabalhar num sistema que lhe permitisse economicamente dedicar-se apenas ao humor alternativo. Mas estamos em Portugal, coisa que Herman José após ter ficado rico nunca nos perdoou...

As escolhas finais de Markl no passatempo do Pior Acordar do Mundo foram, como é normal, muito criticadas e posteriormente, muito debatidas. Markl não descansa enquanto não responder a todos os insultos por mais descabidos que eles sejam e costuma arrastar as conversas valorizando os poucos descontentes que irão sempre existir. Mas neste caso, como noutros, isso só trás debate, conversa, acessos e isso é bom para quem segue o blogue e para o próprio Markl que para além de estar sempre a aprender com isso, tem no blogue um canal só seu onde pode colocar publicidade e ganhar dinheiro com isso. Coisa que eu acho muito bem. O complexo capitalista nacional contra quem ganha dinheiro com o que faz é ridículo.

As minhas escolhas teriam sido um pouco diferentes das de Markl tal como “cada cabeça sua sentença”. Se há um vídeo que não merecendo para mim o epíteto de melhor, é o mais consensual. Trata-se do vídeo de João Costa que Markl premiou:



É de facto o pior acordar do mundo, este o de acordar com as botas batidas. É uma excelente ideia que responde directamente ao conceito do passatempo. Faltam-lhe no entanto, outras qualidades, já que o autor optou por apenas enunciar a ideia com base em “fotografias” e uma explicação por escrito no final. Ainda assim, acho que este vídeo bate os melhores vídeos de apanhados que concorreram que também respondem directamente ao conceito do passatempo. É o caso destes três vídeos:
Mais sexy, de Rogério Montez

Mais elaborado na partida, de Mariana Abreu

Mais mal cheiroso, de Miguel Pironet


O formato de apanhados é na minha opinião, hoje em dia, tão legítimo quanto o da ficção, e estes vídeos são interessantes e engraçados.

Markl deu o prémio também a este vídeo de José Henrique Timóteo, um dos dois que usa a técnica de stopmotion:


Fiquei com a ideia, talvez errada que o prémio foi para a técnica e não para o vídeo. Aqui discordo completamente. Por um lado não acho que devesse ter sido um critério e não me surpreenderia que isso não tenha passado das aparências. Por outro lado, este vídeo é medíocre, por exemplo, se comparado com o outro vídeo com stopmotion, o de Ricardo Sousa, que é um vídeo muito criativo, dinâmico, não foge ao tema e tem pormenores muito interessantes, alguns deles técnicos. Pelo que eu acho que poderia ter sido por mérito próprio um vencedor se não o melhor a concurso:




Finalmente, o outro premiado por Markl, o vídeo de Ângelo Pinto:


Sendo uma ideia popular, não é uma ideia inteligente, original, nem especialmente atraente para os muitos adeptos do futebol. Nem uma nem outra, nem as duas. Até porque é mal feito a todos os títulos. E nesse caso, haviam outros vídeos a concurso que poderiam ter sido escolhidos em detrimento deste.

António Jorge Gaspar com Being Nuno Marklovitch

O Hélder Medeiros opta por uma solução radical perante um acordar político...

Nelson Fernandes se a interpretação não fosse tão má...


Nota: Por questões que me passam ao lado nunca consegui ver os vídeos de Edgar Barata e José Domingos Ribeiro (“o drama de um estudante universitário”).

12.2.08

Do ensino

Confessa que não sabe mais que um miúdo de 10 anos. É que entretanto, tirou um curso universitário.

1.2.08

Coisas que oiço dizer

Quem tem estômago para isto?
Vasco Pulido Valente, Público, 01/02/2008

VPV, nitidamente, teve uma cólica.

30.1.08

29.1.08

Coisas que oiço dizer

Como Sócrates disse: só sei que nada sei. Acho que foi isso que ele disse... Foi isso não foi? Bom, não sei, adiante...

21.1.08

Coisas que oiço dizer

Se o fez, não o devia ter feito. E se não o fez que fizesse.

19.1.08

Do crítico acirrado

É um crítico acirrado do funcionamento da democracia, apesar de defender a ditadura.
É um crítico acirrado do funcionamento da igreja católica, apesar de ser ateu.
É um crítico acirrado do funcionamento do mercado, apesar de ser comunista.
É um crítico acirrado do funcionamento do país, apesar de ser estrangeirado.
É um crítico acirrado do funcionamento do penico, apesar de cagar sempre fora dele.
É um crítico acirrado da manjedoura, mas aí, ele sabe do que fala.

16.1.08

O aeroporto — resumo alargado

Embora longo e cheio de percalços o processo que conduziu à escolha do novo aeroporto parece-me ter chegado a bom porto. Revisitemos o historial:

Check In
Em Portugal, as grandes obras são tradicionalmente decididas pela fé e não por razões técnicas ou políticas. Tome-se o exemplo do Mosteiro da Batalha: D. Nuno Álvares Pereira escolheu o sítio onde deveria ser construído o Mosteiro, atirando a espada ao calhas e onde ela caiu mandou fazer o mosteiro. Com os estádios do Euro2004, foi igual.

Começou a pensar-se num novo aeroporto em 1960 e troca o passo. Fizeram-se estudos, compararam-se localizações, gastaram-se rios de dinheiro e finalmente técnicos e políticos foram unânimes: a melhor localização para o aeroporto era um pântano num vale profundo que dá pelo nome de Ota. Um sítio onde os aviões tem que aterrar de lado para não baterem nos montes que cercam o local.

Apertem os cintos

Chegado ao governo, José Sócrates, escaldado com a política de zigue-zague de Guterres, apostou nas decisões rápidas com avanços determinados. E assim, analisou o projecto Ota e, como bom engenheiro que é, pareceu-lhe bom e decidiu avançar.

Mas afinal, a Ota era apenas a melhor localização para o aeroporto, desde que, não houvesse alguém que realmente quisesse fazer o aeroporto. A partir do momento em que todos perceberam que a obra ia avançar, o País interessou-se pelo assunto. À laia do programa Novas Oportunidades, todos os portugueses se tornaram especialistas em navegação aeroportuária e construção de grandes obras em geral. Mas como o governo insistia em fazê-lo na Ota, a população era contra. Fosse lá o que isso fosse.

Dor de ouvidos
As sondagens nunca enganaram ninguém: 50% dos portugueses são contra a construção de um novo aeroporto e os restantes são contra a existência do actual. Todos foram unânimes em considerar que se os políticos e os ricos querem andar de avião, a Portela chega perfeitamente. Acrescentando: “eles que se apertem um bocadinho...”

Embora os técnicos digam que a Portela vai esgotar, todos sabemos que a Portela é um bocadinho como o petróleo: está sempre para esgotar, mas vai dando e dando... Apesar de também ficar cada vez mais cara. E desde que não se viva por baixo da rota dos aviões, ou seja em Lisboa, a Portela é o melhor sitio do mundo para ter um aeroporto. É mais fácil Lisboa cair de podre que um avião cair em Lisboa, por isso não há problema. Esta sempre foi a opinião de rua no Porto. O Porto sempre foi parte interessada no assunto porque o governo quer construir um aeroporto e não um “aerolisboa”. Daí o interesse da Associação Comercial do Porto que defendia a Portela mais um qualquer.

Nas nuvens
Já o interesse das gentes do Oeste sempre foi o de puderem ir ao domingo ver levantar os aviões, para além de estar tudo à espera de enriquecer sem ter que evoluir como é seu apanágio.

Com a sociedade civil toda empenhada neste projecto nacional — dez milhões de cabeças a pensar é sempre melhor que dez milhões de cabeças simplesmente a usar chapéu —, surgiu uma nova localização nunca antes pensada. No fundo, um ovo do Colombo no Campo de Tiro de Alcochete. Ou seja, um tiro em cheio no porta-aviões.

A Confederação da Indústria Portuguesa, que encontrou o local por acaso, decidiu avançar com um estudo, apresentou-o ao governo que o mandou para o Laboratório Nacional de Engenharia Civil que fez outro estudo em apenas seis meses e destruiu mais de quatro décadas de enganos.

Check Out
E aqui chegamos aos pontos positivos de tudo isto:
1. Em Portugal, as obras já não são feitas à toa;
2. A sociedade civil já participa e tem influência nos processos de decisão;
3. Existe uma sociedade civil (mas estamos sobretudo a falar de engenheiros civis e de aviação civil, por isso ainda bem que existe);
4. Quando uma solução melhor aparece, o governo escolhe-a apesar de ter defendido ao absurdo a solução anterior;
5. Quando uma solução é boa leva seis meses a estudar, quando é má leva mais de 40 anos.

Este foi o processo para a escolha do sítio. Agora vai começar o processo para a construção...

28.12.07

Portugal. Esta merda! História não revista para incrédulos Grande 31

O final em três gatos
I. Quando o senhor generoso percebeu que tinha gasto mais connosco do que aquilo que nós podíamos pagar e que íamos entrar num ‘pântano’, aproveitou a primeira oportunidade (uma eleições para juntas de freguesia) e demitiu-se. Guterres, para uns foi-se embora, para outros fugiu a sete pés. Para ele, resolver os problemas dos refugiados do Mundo inteiro, é tarefa mais fácil que emendar os seus bem intencionados erros.
Precisávamos pois de alguém capaz de resolver o problema e fomos buscar um Durão Barroso. Também conhecido por Cherne, mudou o ‘pântano’ para ‘tanga’ e a seguir foi-se também embora. Ou fugiu a sete pés, consoante os pontos de vista. Durão, não era assim tão duro e também achou que resolver o mega-problema de uma Europa estagnada e ingovernável sempre seria mais fácil que tirar Portugal da moda brasileira.

II. Ou seja, se já estávamos mal, ficámos pior e a caminho da falência. O que para outros povos não é o fim do mundo, mas para as almas lusas, é! E não nos falem do fim do mundo, que ficamos histéricos! E por falar nisso, eis que surge Pedro Santana Lopes para governar o país. Finalmente o PPD no Governo! Toda a gente riu às lágrimas e depois chorou um bocadinho. O presidente Sampaio (o primeiro que não era o Mário Soares e o mais incompetente deles todos), andou que tempos a pensar no assunto e lá o empossou. Mas antes de podermos dizer “fim do mundo”, Sampaio, o mais pacífico de todos os seres com sardas e cabelo cor de cenoura, não teve outra solução se não usar a bomba atómica. Kapum!

III. Com a derrota na final do Euro 2004 contra uns gajos que nem falar sabem, o povo decidiu tomar posições firmes. Para grandes males, grandes remédios: maioria absoluta ao PS e tragam de volta o Cavaco para supervisionar. “Isto não pode, repetimos, não pode voltar a acontecer!” Pareceu-me ouvir dizer no meio dessa coisa ululante que é “o Povo”...
Então e para primeiro-ministro? Quem é o melhor daqueles gajos que nem falar sabem com quem perdemos na final? O Sócrates! (Ainda puseram a hipótese do Platão, mas o Sócrates jogava melhor à bola e ao contrário do Aquiles tinha um calcanhar de ouro) Muito bem. Desde que não fosse o Lopes...
E depois parece que é um rapaz que é quase engenheiro. Fala bem e tem ar de “nouvelle vague”. Não parece ser um Salvador e portanto, não fazendo as coisas a régua e esquadro como um engenheiro, pode ser que não tenha o lado mau dos nossos Sebastiões...
Sócrates segue o caminho de Cavaco, não só nas finanças como na mania da autoridade — ou seja, é mesmo arrogante. Ao contrário de Cavaco, não come bolo-rei e está sempre a dar cavaco ao Povo. Embora digam que tem melhor propaganda que o Hitler, que as pessoas gostam muito de fazer comparações com o Hitler...

Nota do super-ego do autor: Este parágrafo é nitidamente ofensivo para o Excelentíssimo Senhor Primeiro Ministro de Portugal pelo que vamos proceder ao desmantelamento deste blogue e admoestar indignamente o seu autor. Por outro lado, o parágrafo não é maldizente o suficiente, pelo que será este blogue classificado como pró-governo e assim desacreditado em praça pública a indicar. (Talvez na da RTP.)

Nota do alter-ego do autor que é contra o Governo e não se deixa vender e não tem medo que lhe fechem o blogue: Sócrates é... um grego, é o que ele é!

Adenda
É claro que é tudo propaganda. Sem o passar da história, é impossível saber se Sócrates está ou não a governar bem. Há muito tempo que ninguém governa bem este país. Ninguém sabe como se faz, nem se é assim. Os portugueses nunca sabem se estão bem, a não ser que alguém lhes diga que estão bem. Nem sabem se estão mal — vejam-se os quarenta anos de ditadura — e mesmo assim, às vezes dizem-lhes, e eles não acreditam. Até porque normalmente dizem-lhes as duas coisas e eles não sabem o que hão-de pensar e isso resolve-lhes este problema. O de pensar, claro.
A coisa mais parecida com bom governo que conhecemos, é o exercício da autoridade. Coisa por que ansiamos, para de seguida nos queixarmos dela, apesar de sabermos que pode ser para nosso bem, embora duvidemos e não gostemos, apesar de poder eventualmente ser bom ou desastroso.
Por outro lado o País como que acordou, ficou mais exigente, olhou em volta e reparou que nada funciona e que o país está como sempre esteve: é pobre e atrasado. Há esforços para resolver o lado do atraso e todo o país está a fazer um esforço de modernização — reparem que já não comemos castanhas assadas em papel de lista telefónica. Claro que agora está tudo à espera que se chegue à parte de resolver o problema da pobreza. Mas o dinheiro sempre foi um problema...

Conclusão (como se isso fosse possível)
Relativamente ao dinheiro... Para um português o dinheiro é muito importante porque normalmente ou não o tem ou lembra-se de cada sapo vivo que teve que comer para o ter. Relativamente ao dinheiro... Nós começámos por roubar a independência à Espanha. Depois para acabar de fazer o país, roubamos as terras aos mouros. A seguir o primeiro dinheirinho à séria que tivemos foi do negócio que roubámos aos mouros. Depois continuámos sempre a ter dinheiro do que íamos roubando aos outros países. Fosse na exploração de recursos naturais de África e do Brasil, fosse pelo tráfico de escravos, fosse através do comércio imposto um pouco por todo o Mundo, fosse pelas remessas dos emigrantes... Aqui fechados é que nunca ganhámos um tusto...
A seguir acabou-se o Ultramar e conseguimos roubar os agora menos crápulas europeus (deram-nos tanto dinheirinho, coitados...). Agora acabou. Temos de encontrar alguém novo para roubar. Aparentemente, hoje em dia com a Internet, pode roubar-se em todo o lado sem se sair de casa. O melhor seria começar pelos espanhóis mas depois (quem sabe com eles), roubar todo o mundo! Nunca sei se a expressão é que a História nunca se repete, ou se é que a História está sempre a repetir-se... Decididamente não percebo muito de História. Mas gosto de histórias.

Bom Ano a todos, dinheirinho e saúdinha e esperemos que 2008 não seja o fim do mundo!

21.12.07

Coisas que oiço dizer

Mulherengo, ele? Ele não tem é jeito para homossexual.

20.12.07

Terrorismo tripeiro
Cada país tem o terrorismo que merece.

Ir ao engano
Imigrantes marroquinos vieram parar a Portugal por acaso. Só mesmo por acaso. Se fosse para viver na miséria não tinham saído de África.

Sócrates afinal, é mesmo um provinciano português
Aprendeu com os seus opositores: diz uma coisa e o seu contrário.

Coisas que oiço dizer

Isso é tão verdade como outras não verdades que ela omitiu.
Gil Moreira dos Santos, advogado de defesa de Pinto da Costa sobre Carolina Salgado, RTP

19.12.07

Dos primeiros/Coisas que oiço dizer

Uma jornalista: “Falo mais facilmente com o primeiro-ministro que com o meu primeiro marido.”

18.12.07

Tratado democrático luso-mundial

1. O Governo nunca faz nada (1);
2. Quando o Governo faz alguma coisa, fá-la mal (2);
3. Quando o Governo faz alguma coisa bem, é de certeza uma irrelevância (3);
4. Quando o Governo faz bem alguma coisa de relevante, tem seguramente segundas e terceiras intenções que devemos desconfiar (4);
5. Quando o Governo faz alguma coisa de verdadeiramente bom a favor do povo, isso explica-se por estar em campanha eleitoral e logo, a desbaratar os nossos recursos connosco (5);
6. Um Governo bom é um Governo na oposição (6);
7. Se os Governos pudessem ser bons e pudessem fazer alguma coisa de relevante a favor do povo, não eram necessárias eleições (7);
8. Sem eleições não há Governo (8)

(1) Excepto no papel
(2) Excepto no estrangeiro
(3) Excepto nos E.U.A.
(4) Excepto em Marte
(5) Excepto em África
(6) Excepto na Rússia
(7) Excepto em Cuba
(8) Excepto na Bélgica

17.12.07

14.12.07

Da desconfiança matinal

Acorda sempre desconfiado. Por isso, a primeira coisa que faz é ir à janela ver se o mundo não acabou. Depois coça os testículos para confirmar que a sua virilidade não acabou. Vê-se ao espelho para confirmar que não está acabado e então depois, caga em paz. Nunca desconfia que se acabou o papel higiénico. E na maioria das vezes acabou.

13.12.07

Portugal. Esta merda! História não revista para incrédulos 30

Mais um salvador, se fachavôr!
Com o salvador morto e espalhado por Camarate, perdemos o passo e voltámos à confusão, ao atraso e à pobreza de onde não chegámos a sair. Mas o destino não nos dá só azares e pouco tempo depois, com Mário Soares, sempre esforçado, a correr com os militares da presidência da República, havíamos de ter dois golpes de sorte...
Para começar, arranjámos um salvador novinho em folha e com carro a estrear — Cavaco Silva — e depois arranjámos novos mouros a quem roubar, perdão, e finalmente os crápulas europeus, para variar, decidiram dar-nos algum dinheiro. Já não era sem tempo. Há muito que não entrava dinheiro no país, até porque o dinheiro dos emigrantes não dá para tudo.
Cavaco foi um bom salvador. Com ele e com a adesão à CEE, Portugal passou de país em vias de desenvolvimento — em que éramos muito bons —, para um país desenvolvido — em que somos muito maus, mas estamos melhorzito... Claro que o dinheiro europeu, primeiro engordou os problemas, incluindo o Monstro e os empresários merceeiros, depois engordou os empresários mafiosos e depois deu para toda gente. E claro que, também Cavaco, por ironia, se esqueceu de dar cavaco ao povo — na linha dos bons estadistas portugueses — e o povo meteu-o de lá para fora. A seguir deu o coração a um senhor que era maravilhoso, Guterres de seu nome, que não seguia o caminho de Cavaco. Queria era fazer o bem a toda a gente e sem olhar a quem... Nunca vivi tão bem como no tempo dele. E nem trabalhava. Mas estava ocupado... Como toda a gente.