25.3.08

Coisas actuais...

Mas qual era a professora?

Mas não são casamentos pela igreja católica? A inquisição era bem pior que isto...

Pato à Pequim: Smells Like Teen Spirit diz o Dalai Lama.

Quatro mil americanos mortos no Iraque: e os anti-americanistas primários ainda estão contra a guerra?

Lista de possíveis notícias se algum estagiário se enganar e confundir este blogue com uma fonte próxima:

Governo regulamenta tamanho das sobrancelhas e proíbe bigodes em mulheres com menos de sessenta anos;
A ministra da educação frequenta grupos pedagógicos de sadomasoquismo;
Impostos baixam no próximo ano ainda mais os rendimentos dos portugueses;
Processo da Casa Pia vai ficar junto com processo do Apito Dourado no mesmo arquivo;
Aluna que agrediu violentamente professora foi paga pelos sindicatos;
Professora agredida era bufa de Sócrates;
Por causa dos incêndios, Governo vai adiar o Verão para depois das eleições;
Sócrates não é filho da própria mãe – oposição relativiza;

16.3.08

Das relações abstencionistas

Ela puxa-o para dentro do quarto e senta-o na cama:
— Isto tem que acabar Geraldino, eu não aguento mais.
— Mas o que é minha querida?
— Diz-me a verdade de uma vez por todas. Tu só podes ter outra.
— Mas como é que tu podes dizer isso se eu te sou completamente dedicado?
— Como completamente dedicado? Tu és dedicado, mas não completamente.
— Como assim, meu amor?
— Ou será que não és completo? Porque é que não vamos para a cama? Eu quero ir para a cama contigo, eu quero fazer amor contigo, quero dar uma queca, quero foder, Geraldino!
— Ó minha querida, pensei que já tínhamos resolvido isso. Eu já te expliquei que não quero fazer amor contigo antes de ter a certeza que é contigo que eu quero ficar para sempre.
— Mas ainda não tens a certeza?
— Claro que tenho a certeza, mas preciso mesmo de ter a certeza completa. Não quero que isto seja apenas mais um relacionamento de umas noites... E não quero que irmos para a cama possa interferir na nossa relação espiritual.
— Mas nós já andamos há seis meses, eu e tu já tivemos relacionamentos mais profundos de muito menos tempo… Que mais te falta? Queres casar? É isso? …
— Não minha querida, quero apenas ter a certeza que vamos ficar para sempre.
— Mas eu não quero ficar para sempre contigo sem que tenhamos sexo! …
— Então se calhar ainda não estás pronta para esta relação. Vês como fazemos bem evitar o sexo?

7.3.08

Édipo vai ao dentista

Como qualquer criança saudável, eu tive direito a uma dentição. Chamam-lhe dentição de leite porque de facto, os primeiros dentes apenas servem para roer os mamilos das mães, se ainda lá andarmos a mamar. Não é para todos. A relação edipiana com a minha mãe deve ter começado no alargado tempo de amamentação a que fui submetido.
O leite materno devia ter muito cálcio porque, mais tarde, como qualquer ser humano saudável, tive direito a uma segunda dentição forte e saudável. Disseram-me que seria definitiva, mas hoje em dia, nada é definitivo. Por isso, em plena adolescência como qualquer português saudavelmente pobre e a viver numa terra de água esquecida pelo flúor, fui atacado por uma espécie de peste negra dos dentes a que chamam cáries. Tenho por isso um dos meus momentos mais negros numa noite de aguardente e muita, muita dor. E ainda haviam de me ficar caras as cáries.

Agora, como qualquer europeu saudável, ando a arranjar os dentes. Parte já tinha sido feita há uns anos e agora voltei para acabar o trabalho. Não é fácil porque o orçamento que me foi dado é semelhante ao orçamento para fazer obras em casa. Só que mais caro. É preciso mandar paredes abaixo, construir novas, rebocar outras e colocar loiças novas. De porcelana, segundo parece. Tenho dúvidas. Queriam mesmo pôr-me uma ponte, mas eu opus-me. Para mim, as pontes são uma responsabilidade do Estado. Recuso-me a pagar “obras de arte” na minha boca. A comida que vá de volta.

Tenho uma dentista, ou seja, um cirurgião-dentista do sexo feminino. Quando entro no consultório, cumprimento-a com um aperto de mão. Tenho sempre muito cuidado com a mão dela. Não só porque tem umas mãos frágeis, finas e delicadas, mas também porque aquela, é a mão que vai estar na minha boca. E nessa altura, confesso, parece uma mão de ferro. Aquele ser delicado e pequeno, com um alicate na mão transforma-se num perigoso jagunço tira-dentes. E é nessa altura, enquanto eu estou de tubos aspiradores na boca, mandíbulas dormentes e suores frios de pânico, que ela, com um projector de luz nos meus olhos, me interroga ameaçadoramente: “Isto não está grande coisa. Que pasta de dentes é que usa?” E vendo que será difícil eu responder-lhe pestanejando, continua a falar e a fazer-me perguntas que, como boa polícia de interrogatório das SS ou KGB, ela própria se encarrega de responder. Para depois me ferrar as gengivas com um dos vários instrumentos de tortura tecnológica ao seu dispor na bancada. Que é para eu não ser tão pouco cooperativo.

No meio da tortura, com alicates para cá, aspiradores para lá e puxões para todos os lados, ela mete a cara dela mesmo por cima da minha e olha-me fixamente. A sádica. Eu desvio o olhar para o tecto da sala e disfarço. Mas por vezes olho-a fixamente nos olhos para a confrontar. Depois, dá-me o medo e desisto. Nisto, talvez por causa do sangue que me inunda a boca e que ameaça saltar para as paredes do consultório, ela entusiasma-se e debruça-se sobre mim. Vejo-lhe o decote pelo canto do olho, mas não tenho coragem de espreitar. Não me parece o momento indicado. Isto é ela a provocar-me. O dente dá luta e não quer sair. Oiço a carne a estalar. Ela faz força no alicate e eu vou atrás do dente. Os meus dentes são como os meus segredos, só mos tiram a ferros. Mas um homem não é de ferro: quando ela se encavalita sobre mim, um dos seus seios esborracha-se-me no ombro… Eu, esvaído em sangue, quase desmaio. O dente salta do sítio, o alicate desengata-se-me da boca e eu bato com a cabeça no apoio e fico sem reacção. Ela, triunfal, exibe o molar de três raízes na ponta do alicate: “Este deu luta! Vamos ter que dar aí um ponto ou dois…”

Chego a casa a falar como se fosse um mongolóide. Três dias a comer por uma palhinha e a bochechar com água e sal, ensinaram-me que não tenho jeito para o Sadomasoquismo. Mas aos poucos, o meu complexo de Édipo está a passar-se para a minha dentista – nunca nenhuma mulher me fez sofrer tanto, nem nenhuma me ficou tão cara… Hei-de perguntar-lhe se é casada e pedir-lhe que baixe a máscara para lhe poder ver a cara.

5.3.08

Actualidades

Late night blogs
O Público hoje, está um bocado abrupto…

Indignação vs. Avaliação
Os professores dizem que não é possível fazer a avaliação, dentro do prazo indicado pelo ministério. E aí, eu estou completamente de acordo com eles. Eles não têm tempo. Com este calendário de manifestações é impossível.

Estado da Nação
A coisa em Portugal está tão negra que até já se fala no Obama.

O país está tão deprimido, pessimista, confuso e inseguro que até já há seguranças do Colombo a suicidarem-se com três facadas no coração.

Estamos tão mal, que falar claro hoje em dia é achar que eventualmente o que quer que alegadamente seja, pode ser possível, se não houver nada em contrário. Ou mesmo a favor e vice-versa.

O pessimismo é tal que se Vasco Pulido Valente fosse coerente com o seu nome, emigrava. Se fosse coerente com o que diz, suicidava-se de forma exemplar para todas as múmias velhas deprimidas que assombram o espaço público. Se fosse coerente com o que faz, antes de se suicidar, escrevia o seu próprio epitáfio. (Mas acho que nem ele merece isso...)

O economista e agora historiador, Miguel Cadilhe, diz que Portugal se encontra em “recessão grave” desde 2002/2003… Por acaso ainda estamos na mesma década, mas mais um bocadinho…

O ministro da Justiça disse estar confiante que a Polícia Judiciária possa "num tempo curto investigar e esclarecer" os crimes violentos recentemente ocorridos.
Os sublinhados indicam as piadas.

A PJ negou a existência de uma vaga de crime organizado na região de Lisboa. O que é surpreendente é como a PJ está convencida que conseguiria saber de uma organização criminosa se ela existisse. Nem de uma vaga, quanto mais de uma organização. Não havendo pais para arguir ou espancar é difícil à PJ saber do que quer que seja.

Segundo fontes fidedignas, apesar de ainda não estar sequer registado como partido político, o MEP já desceu nas sondagens, tem uma liderança fraca que não chega às eleições e está à beira de um escândalo de corrupção. E claro, os fundadores já estão a encher-se dele…

O cargo de presidente dos Estados Unidos da América está tão mal visto que até já deixam velhos, mulheres e pretos candidatarem-se. Depois de um bronco, vale tudo.

Fico com a ideia que Clinton e Obama pensam que estão a concorrer para telefonistas da noite na Casa Branca…

MEP = Super Cola 3 = MEP3 ?
Se os partidos estão partidos, será que um movimento mesmo a meio deles os conseguiria colar?

27.2.08

Diário de um homem banal

09:00 – O despertador é o carrasco dos tempos modernos. Se agora, estivesse aqui, uma mulher, seria como juntar a fome à vontade de comer.
10:00 – Já me masturbei, já tomei banho e estou relaxado e preparado para ir trabalhar.
11:00 – Estou excitado com a secretária que hoje trás um top desmazelado e umas calças descaídas. Estou a tentar trabalhar e está a correr bem.
12:00 – Estou muito excitado com a secretária. A culpa é dela que veio buscar uns papéis, mesmo por cima de mim.
13:00 – A secretária saiu. Estou muito excitado com a minha colega. Hoje trouxe um decote de bradar aos céus.
14:00 – Estou a empanturrar-me com Mão de Vaca com Grão e sinto-me bem. A cerveja, e depois o café, ajudam-me a manter a consciência. Nunca me canso de confirmar que a empregada do restaurante é muito gira.
15:00 – Estou muito cheio. Se calhar, é melhor voltar ao emprego. Desde que aqui estou, passaram duas gajas perdidas de boas e estive a galar uma miúda muito gira que estava sentada à minha frente.
16:00 – Ainda mal me consigo mexer, mas estou muito excitado com a secretária.
17h00 – Fui beber café com a secretária e acho que a coisa está bem encaminhada. É pena ser casada.
18h00 – Estou cansado de trabalhar. Esta gente dá cabo de mim. A minha colega é muito boa, mesmo. Vou convidá-la para ir beber umas imperiais.
19h00 – Já bebi duas imperiais. A minha colega não quis vir. Mas o camafeu da empregada do bar parece-me cada vez mais, assim… Exótica! Meu Deus, eu dava cabo da minha colega com muito carinho e muita dedicação, mesmo em cima da secretária dela.
20h00 – Estou atrasado para o jantar. Este metro está cheio de gajas boas, em apenas cinco estações consegui galar duas e nem olhei para o escândalo que ia ao meu lado com um rottweiler sem açaime. Estou muito excitado.
21h00 – Este vinho é fantástico, as entradas estão deliciosas. Mandei vir picanha da boa. Não há como um jantar de amigos com boa conversa.
22h00 – O que é que eu estava mesmo a dizer?…
23h00 – Estou muito satisfeito. Vou fumar um cigarro.
24h00 – O que me apetecia agora era uma gaja. Até podia ser só para falar um bocado que eu ainda estou cheio. É que estou farto de falar com estes gajos.
01:00 – Última chamada para aparecer uma gaja aqui ao meu lado… OK. Venha o Jameson. Com uma pedra de gela se faz favor.
02:?? – Não é nada disso… As gajas são é tramadas. Queria outro se “fbás bfavor”. Sim, com uma pedra. Não, meta “muto” gelo…
- Agora uma pedra, mas pequena que a noite é longa. Ei? Ia ali uma gaja perdida de… É haxixe? Pólen, parece-me bem. Queres que enrole? Aquela é boa, é…
- Olha ali aquela com as calças por baixo do cu. Ahahaha. Eheheheh. Aquela é gira… Muito gira. Vou galá-la…
- Já não vejo gaja nenhuma, caralho. Onde é que elas se meteram?
- Não sei como cheguei a casa. Só não percebo porque é que tenho uma coisa na minha cama a aleijar-me as costas… Afinal é o travão de mão. Estou um bocado "cganszado"…
- Acho que é aqui…
- …
09h00 – Foda-se! Quem será esta gaja?… Eina, bem, parece uma foca. Eu tenho de ir trabalhar rapidamente… Tenho que a pôr a andar daqui para fora…
-- A minha namorada ficou chateada comigo porque eu não a reconheci. Depois demos uma queca de reconciliação. Vou despachar-me para o emprego que combinei com a secretária ir almoçar com ela…

23.2.08

BUM!

Velho, sempre cansado, pobre e atrasado, Portugal agora, revolve-se sobre si próprio, reivindica, contesta, vai à rua e pede, reclama e estrebucha. Está indignado, está exaltado e diz que não aguenta mais. Está desesperado, desempregado, sem dinheiro, endividado, sente-se a sufocar pelo Estado e pede mudança. Pede que tudo mude para que tudo fique na mesma, se faz favor, porque antes assim que pior. Isto já estava mau e agora, um fulano com nome de filósofo começou a mexer em tudo… A mudar as coisas… E isso, não nos parece nada bem. Nada, nada bem. Onde que isto vai parar?…
Ah, portuguesinho de costas voltadas ao sol, não tenhas medo que haverá sempre fila para a sopa dos pobres. Os ricos não te deixarão passar fome, que isso fica-lhes muito caro.
E tu, Tuga de gema, com aquelas coisas – tu sabes bem – na consciência, não te apoquentes que eles não hão-de descobrir como se lê o pensamento. Não temas. Só tens que não morder a mão que te dá de comer. E se morderes, morde com carinho, que nunca soubeste morder de raiva. Porque nem sempre ela te dá de comer. Sabes como ela por vezes te dói? Tens que te portar bem. E como gostas tu, de te portar bem apesar das mentiras que contas…
E tu velho do Restelo, que passas os dias a maldizer tudo e todos, resmungando entre dentes o que não tens coragem de dizer alto e bom som, para poderes dizer depois que bem tinhas avisado. E avisas tanto…
Esperam a bomba, o bum, a desgraça, desgraçadinha que há-de fazer correr o sangue nas valetas? Se passar de uma tempestade rezam a Deus, vão agora esperar o apocalipse? Sempre vos bastou o fim do mundo a que sempre estiveram habituados a ser. Mesmo depois de provarem que havia mundo para além de nós outros… portugueses!
Ah, Portugal, a província de maior sucesso do que havia de se chamar… Como é mesmo? “Espana”, “hespanha”, “spain”? Nada disso: União Europeia! Onde és bom aluno? Um bom aluno que faz batota… Quem diria? Portugal, de Portucale, quem diria que um dia, havias de pertencer à Europa. Ah, como os países ibéricos sempre tiveram importância. Que seria da Europa sem a península do lince da Malcata onde ele já não existe e do Neandertal que aqui se perdeu no tempo? Pouco. Pouco mais.
Como vais tu Portugal, por estes dias do século XXI, quase novecentos anos de história? Como vai isso? Está-se bem, velho?

Estou longe de considerar que o reconhecimento do Kosovo corresponda aos nossos interesses nacionais. Por muito que isso pareça contra-intuitivo em relação à nossa história, não é do interesse nacional qualquer coisa que ajude à fragmentação da Espanha.
José Pacheco Pereira, Público, 23/02/ 2008

Estou certo que muitos dos espectadores europeus destas séries, que acreditam na reencarnação e em forças superiores, são os mesmos que protestam contra a antiga religião oficial do seu país, que comentam os "disparates" de Roma ou da sede da sua igreja nacional enquanto lêem o horóscopo ou verificam a harmonia feng shui dos móveis lá de casa.
Eduardo Cintra Torres, Público, 23/02/ 2008

Madalena Barbosa não foi nunca ministra, não foi nunca secretária de Estado, não foi nunca presidente da comissão. Mas foi determinante e única para o espaço de liberdade e de igualdade que nos últimos 30 anos foi conquistado pelas mulheres portuguesas.
São José Almeida, Público, 23/02/ 2008

E o bastonário da Ordem dos Advogados pode e deve ser a voz das preocupações dos cidadãos quanto a este nevoeiro no funcionamento da máquina da Justiça. Mesmo sabendo-se que "nem tudo o que parece, é" e que "nem tudo o que luz é ouro". E que haverá "fumo sem fogo".
Francisco Teixeira da Mota, Público, 23/02/ 2008

O apoio imediato da Rússia à independência da Abkházia e Ossétia do Sul e as declarações dos líderes do País Basco e de Nagorno Karabakh não são um bom augúrio.
Rodrigo Tavares, Público, 23/02/ 2008

No fundo, os senhores da Sedes não percebem que nenhuma "crise social" (que fazem eles senão descrever sem grande originalidade a que neste momento vivemos?) põe em perigo o suave arranjo da política portuguesa, enquanto Portugal pertencer à "Europa": e os partidos sabem isso muito bem. O destino de Portugal é, como sempre foi, apodrecer ao sol.
Vasco Pulido Valente, Público, 23/02/ 2008

Então porque diz a lei feita sob o mandato de Costa que as autarquias têm de apresentar um "plano de saneamento financeiro para o período a que respeita o empréstimo", neste caso os tais 12 anos? Talvez porque na altura o autarca era ministro e, às vezes, o feitiço se volta contra o feiticeiro.
José Manuel Fernandes, Público, 23/02/ 2008

19.2.08

Punhetas de bacalhau*

Recentemente acabei com a relação mais antiga que tinha. Fartei-me dela e troquei-a pela mão esquerda. Mas não é a mesma coisa.
É verdade que sabe bem experimentar coisas novas mas a esquerda não é tão eficaz como a direita. Uma das grandes novidades é o ritmo da esquerda, muito mais entusiasmante. Por isso, agora faço todo o trabalho com a esquerda, mas acabo o serviço com a direita, enquanto a esquerda apanha os despojos. Assim, ultrapasso dois problemas: o meu velho conhecido final — que é uma parte delicada do processo —, e a inclinação.
Todos os homens têm uma inclinação! O Beethoven tinha inclinação para a música e o Einstein para a física. Já o Camões tinha inclinação para a esquerda, mas era por causa da falta de um olho, e o Sócrates Antigo tinha inclinação para a filosofia. O Sócrates Novo tem inclinação para a direita. Apesar de ser de esquerda... Ele, ao contrário de mim, faz o trabalho todo à direita e depois termina com a esquerda. Assim, a esquerda fica com os louros. Suponho que, como é normal, a direita fique com os despojos…

* O bacalhau foi só para disfarçar

14.2.08

O Melhor do Pior...

O blogue Há vida em Markl lançou um concurso de vídeos para o tema O Pior Acordar do Mundo. Com regras simples e sem exigências técnicas pedia-se “um pequeno filme que documente o pior acordar do planeta”. O passatempo correu agradavelmente bem, com um total de mais de 50 pequenos vídeos muito diversos entre si.
Nuno Markl está de parabéns pela ideia e pelo trabalho que tem vindo a desenvolver no seu blogue que conta já com uma extensa comunidade de adeptos que frequentam o blogue, ouvem os programas de rádio e seguem a carreira de Markl e as suas inúmeras participações, desde o Sexta à Noite ao Dança Comigo. Considero que na carreira de Nuno Markl, vale sempre mais a sua dedicação e esforço do que os resultados obtidos. Prezo muito a sua dedicação ao humor e a sua incrível capacidade de trabalho em detrimento dos resultados do seu trabalho que, regra geral, são muito pobres. Mas é claro que o trabalho e a dedicação podem avaliar-se objectivamente enquanto que, a avaliação dos resultados, tem sempre uma grande carga subjectiva. No entanto, ele próprio admite que os falhanços de muitos dos seus trabalhos, são o principal denominador comum da sua carreira. Em sua defesa tenho a dizer que Markl sofre de um problema que o afecta muito: Markl é e quer ser uma espécie de humorista série B, Z e quejandos num país que nem tem uma série A. Por isso dão-lhe trabalhos “mainstream”, quando ele gostaria de estar a trabalhar num sistema que lhe permitisse economicamente dedicar-se apenas ao humor alternativo. Mas estamos em Portugal, coisa que Herman José após ter ficado rico nunca nos perdoou...

As escolhas finais de Markl no passatempo do Pior Acordar do Mundo foram, como é normal, muito criticadas e posteriormente, muito debatidas. Markl não descansa enquanto não responder a todos os insultos por mais descabidos que eles sejam e costuma arrastar as conversas valorizando os poucos descontentes que irão sempre existir. Mas neste caso, como noutros, isso só trás debate, conversa, acessos e isso é bom para quem segue o blogue e para o próprio Markl que para além de estar sempre a aprender com isso, tem no blogue um canal só seu onde pode colocar publicidade e ganhar dinheiro com isso. Coisa que eu acho muito bem. O complexo capitalista nacional contra quem ganha dinheiro com o que faz é ridículo.

As minhas escolhas teriam sido um pouco diferentes das de Markl tal como “cada cabeça sua sentença”. Se há um vídeo que não merecendo para mim o epíteto de melhor, é o mais consensual. Trata-se do vídeo de João Costa que Markl premiou:



É de facto o pior acordar do mundo, este o de acordar com as botas batidas. É uma excelente ideia que responde directamente ao conceito do passatempo. Faltam-lhe no entanto, outras qualidades, já que o autor optou por apenas enunciar a ideia com base em “fotografias” e uma explicação por escrito no final. Ainda assim, acho que este vídeo bate os melhores vídeos de apanhados que concorreram que também respondem directamente ao conceito do passatempo. É o caso destes três vídeos:
Mais sexy, de Rogério Montez

Mais elaborado na partida, de Mariana Abreu

Mais mal cheiroso, de Miguel Pironet


O formato de apanhados é na minha opinião, hoje em dia, tão legítimo quanto o da ficção, e estes vídeos são interessantes e engraçados.

Markl deu o prémio também a este vídeo de José Henrique Timóteo, um dos dois que usa a técnica de stopmotion:


Fiquei com a ideia, talvez errada que o prémio foi para a técnica e não para o vídeo. Aqui discordo completamente. Por um lado não acho que devesse ter sido um critério e não me surpreenderia que isso não tenha passado das aparências. Por outro lado, este vídeo é medíocre, por exemplo, se comparado com o outro vídeo com stopmotion, o de Ricardo Sousa, que é um vídeo muito criativo, dinâmico, não foge ao tema e tem pormenores muito interessantes, alguns deles técnicos. Pelo que eu acho que poderia ter sido por mérito próprio um vencedor se não o melhor a concurso:




Finalmente, o outro premiado por Markl, o vídeo de Ângelo Pinto:


Sendo uma ideia popular, não é uma ideia inteligente, original, nem especialmente atraente para os muitos adeptos do futebol. Nem uma nem outra, nem as duas. Até porque é mal feito a todos os títulos. E nesse caso, haviam outros vídeos a concurso que poderiam ter sido escolhidos em detrimento deste.

António Jorge Gaspar com Being Nuno Marklovitch

O Hélder Medeiros opta por uma solução radical perante um acordar político...

Nelson Fernandes se a interpretação não fosse tão má...


Nota: Por questões que me passam ao lado nunca consegui ver os vídeos de Edgar Barata e José Domingos Ribeiro (“o drama de um estudante universitário”).

12.2.08

Do ensino

Confessa que não sabe mais que um miúdo de 10 anos. É que entretanto, tirou um curso universitário.

1.2.08

Coisas que oiço dizer

Quem tem estômago para isto?
Vasco Pulido Valente, Público, 01/02/2008

VPV, nitidamente, teve uma cólica.

30.1.08

29.1.08

Coisas que oiço dizer

Como Sócrates disse: só sei que nada sei. Acho que foi isso que ele disse... Foi isso não foi? Bom, não sei, adiante...

21.1.08

Coisas que oiço dizer

Se o fez, não o devia ter feito. E se não o fez que fizesse.

19.1.08

Do crítico acirrado

É um crítico acirrado do funcionamento da democracia, apesar de defender a ditadura.
É um crítico acirrado do funcionamento da igreja católica, apesar de ser ateu.
É um crítico acirrado do funcionamento do mercado, apesar de ser comunista.
É um crítico acirrado do funcionamento do país, apesar de ser estrangeirado.
É um crítico acirrado do funcionamento do penico, apesar de cagar sempre fora dele.
É um crítico acirrado da manjedoura, mas aí, ele sabe do que fala.

16.1.08

O aeroporto — resumo alargado

Embora longo e cheio de percalços o processo que conduziu à escolha do novo aeroporto parece-me ter chegado a bom porto. Revisitemos o historial:

Check In
Em Portugal, as grandes obras são tradicionalmente decididas pela fé e não por razões técnicas ou políticas. Tome-se o exemplo do Mosteiro da Batalha: D. Nuno Álvares Pereira escolheu o sítio onde deveria ser construído o Mosteiro, atirando a espada ao calhas e onde ela caiu mandou fazer o mosteiro. Com os estádios do Euro2004, foi igual.

Começou a pensar-se num novo aeroporto em 1960 e troca o passo. Fizeram-se estudos, compararam-se localizações, gastaram-se rios de dinheiro e finalmente técnicos e políticos foram unânimes: a melhor localização para o aeroporto era um pântano num vale profundo que dá pelo nome de Ota. Um sítio onde os aviões tem que aterrar de lado para não baterem nos montes que cercam o local.

Apertem os cintos

Chegado ao governo, José Sócrates, escaldado com a política de zigue-zague de Guterres, apostou nas decisões rápidas com avanços determinados. E assim, analisou o projecto Ota e, como bom engenheiro que é, pareceu-lhe bom e decidiu avançar.

Mas afinal, a Ota era apenas a melhor localização para o aeroporto, desde que, não houvesse alguém que realmente quisesse fazer o aeroporto. A partir do momento em que todos perceberam que a obra ia avançar, o País interessou-se pelo assunto. À laia do programa Novas Oportunidades, todos os portugueses se tornaram especialistas em navegação aeroportuária e construção de grandes obras em geral. Mas como o governo insistia em fazê-lo na Ota, a população era contra. Fosse lá o que isso fosse.

Dor de ouvidos
As sondagens nunca enganaram ninguém: 50% dos portugueses são contra a construção de um novo aeroporto e os restantes são contra a existência do actual. Todos foram unânimes em considerar que se os políticos e os ricos querem andar de avião, a Portela chega perfeitamente. Acrescentando: “eles que se apertem um bocadinho...”

Embora os técnicos digam que a Portela vai esgotar, todos sabemos que a Portela é um bocadinho como o petróleo: está sempre para esgotar, mas vai dando e dando... Apesar de também ficar cada vez mais cara. E desde que não se viva por baixo da rota dos aviões, ou seja em Lisboa, a Portela é o melhor sitio do mundo para ter um aeroporto. É mais fácil Lisboa cair de podre que um avião cair em Lisboa, por isso não há problema. Esta sempre foi a opinião de rua no Porto. O Porto sempre foi parte interessada no assunto porque o governo quer construir um aeroporto e não um “aerolisboa”. Daí o interesse da Associação Comercial do Porto que defendia a Portela mais um qualquer.

Nas nuvens
Já o interesse das gentes do Oeste sempre foi o de puderem ir ao domingo ver levantar os aviões, para além de estar tudo à espera de enriquecer sem ter que evoluir como é seu apanágio.

Com a sociedade civil toda empenhada neste projecto nacional — dez milhões de cabeças a pensar é sempre melhor que dez milhões de cabeças simplesmente a usar chapéu —, surgiu uma nova localização nunca antes pensada. No fundo, um ovo do Colombo no Campo de Tiro de Alcochete. Ou seja, um tiro em cheio no porta-aviões.

A Confederação da Indústria Portuguesa, que encontrou o local por acaso, decidiu avançar com um estudo, apresentou-o ao governo que o mandou para o Laboratório Nacional de Engenharia Civil que fez outro estudo em apenas seis meses e destruiu mais de quatro décadas de enganos.

Check Out
E aqui chegamos aos pontos positivos de tudo isto:
1. Em Portugal, as obras já não são feitas à toa;
2. A sociedade civil já participa e tem influência nos processos de decisão;
3. Existe uma sociedade civil (mas estamos sobretudo a falar de engenheiros civis e de aviação civil, por isso ainda bem que existe);
4. Quando uma solução melhor aparece, o governo escolhe-a apesar de ter defendido ao absurdo a solução anterior;
5. Quando uma solução é boa leva seis meses a estudar, quando é má leva mais de 40 anos.

Este foi o processo para a escolha do sítio. Agora vai começar o processo para a construção...

28.12.07

Portugal. Esta merda! História não revista para incrédulos Grande 31

O final em três gatos
I. Quando o senhor generoso percebeu que tinha gasto mais connosco do que aquilo que nós podíamos pagar e que íamos entrar num ‘pântano’, aproveitou a primeira oportunidade (uma eleições para juntas de freguesia) e demitiu-se. Guterres, para uns foi-se embora, para outros fugiu a sete pés. Para ele, resolver os problemas dos refugiados do Mundo inteiro, é tarefa mais fácil que emendar os seus bem intencionados erros.
Precisávamos pois de alguém capaz de resolver o problema e fomos buscar um Durão Barroso. Também conhecido por Cherne, mudou o ‘pântano’ para ‘tanga’ e a seguir foi-se também embora. Ou fugiu a sete pés, consoante os pontos de vista. Durão, não era assim tão duro e também achou que resolver o mega-problema de uma Europa estagnada e ingovernável sempre seria mais fácil que tirar Portugal da moda brasileira.

II. Ou seja, se já estávamos mal, ficámos pior e a caminho da falência. O que para outros povos não é o fim do mundo, mas para as almas lusas, é! E não nos falem do fim do mundo, que ficamos histéricos! E por falar nisso, eis que surge Pedro Santana Lopes para governar o país. Finalmente o PPD no Governo! Toda a gente riu às lágrimas e depois chorou um bocadinho. O presidente Sampaio (o primeiro que não era o Mário Soares e o mais incompetente deles todos), andou que tempos a pensar no assunto e lá o empossou. Mas antes de podermos dizer “fim do mundo”, Sampaio, o mais pacífico de todos os seres com sardas e cabelo cor de cenoura, não teve outra solução se não usar a bomba atómica. Kapum!

III. Com a derrota na final do Euro 2004 contra uns gajos que nem falar sabem, o povo decidiu tomar posições firmes. Para grandes males, grandes remédios: maioria absoluta ao PS e tragam de volta o Cavaco para supervisionar. “Isto não pode, repetimos, não pode voltar a acontecer!” Pareceu-me ouvir dizer no meio dessa coisa ululante que é “o Povo”...
Então e para primeiro-ministro? Quem é o melhor daqueles gajos que nem falar sabem com quem perdemos na final? O Sócrates! (Ainda puseram a hipótese do Platão, mas o Sócrates jogava melhor à bola e ao contrário do Aquiles tinha um calcanhar de ouro) Muito bem. Desde que não fosse o Lopes...
E depois parece que é um rapaz que é quase engenheiro. Fala bem e tem ar de “nouvelle vague”. Não parece ser um Salvador e portanto, não fazendo as coisas a régua e esquadro como um engenheiro, pode ser que não tenha o lado mau dos nossos Sebastiões...
Sócrates segue o caminho de Cavaco, não só nas finanças como na mania da autoridade — ou seja, é mesmo arrogante. Ao contrário de Cavaco, não come bolo-rei e está sempre a dar cavaco ao Povo. Embora digam que tem melhor propaganda que o Hitler, que as pessoas gostam muito de fazer comparações com o Hitler...

Nota do super-ego do autor: Este parágrafo é nitidamente ofensivo para o Excelentíssimo Senhor Primeiro Ministro de Portugal pelo que vamos proceder ao desmantelamento deste blogue e admoestar indignamente o seu autor. Por outro lado, o parágrafo não é maldizente o suficiente, pelo que será este blogue classificado como pró-governo e assim desacreditado em praça pública a indicar. (Talvez na da RTP.)

Nota do alter-ego do autor que é contra o Governo e não se deixa vender e não tem medo que lhe fechem o blogue: Sócrates é... um grego, é o que ele é!

Adenda
É claro que é tudo propaganda. Sem o passar da história, é impossível saber se Sócrates está ou não a governar bem. Há muito tempo que ninguém governa bem este país. Ninguém sabe como se faz, nem se é assim. Os portugueses nunca sabem se estão bem, a não ser que alguém lhes diga que estão bem. Nem sabem se estão mal — vejam-se os quarenta anos de ditadura — e mesmo assim, às vezes dizem-lhes, e eles não acreditam. Até porque normalmente dizem-lhes as duas coisas e eles não sabem o que hão-de pensar e isso resolve-lhes este problema. O de pensar, claro.
A coisa mais parecida com bom governo que conhecemos, é o exercício da autoridade. Coisa por que ansiamos, para de seguida nos queixarmos dela, apesar de sabermos que pode ser para nosso bem, embora duvidemos e não gostemos, apesar de poder eventualmente ser bom ou desastroso.
Por outro lado o País como que acordou, ficou mais exigente, olhou em volta e reparou que nada funciona e que o país está como sempre esteve: é pobre e atrasado. Há esforços para resolver o lado do atraso e todo o país está a fazer um esforço de modernização — reparem que já não comemos castanhas assadas em papel de lista telefónica. Claro que agora está tudo à espera que se chegue à parte de resolver o problema da pobreza. Mas o dinheiro sempre foi um problema...

Conclusão (como se isso fosse possível)
Relativamente ao dinheiro... Para um português o dinheiro é muito importante porque normalmente ou não o tem ou lembra-se de cada sapo vivo que teve que comer para o ter. Relativamente ao dinheiro... Nós começámos por roubar a independência à Espanha. Depois para acabar de fazer o país, roubamos as terras aos mouros. A seguir o primeiro dinheirinho à séria que tivemos foi do negócio que roubámos aos mouros. Depois continuámos sempre a ter dinheiro do que íamos roubando aos outros países. Fosse na exploração de recursos naturais de África e do Brasil, fosse pelo tráfico de escravos, fosse através do comércio imposto um pouco por todo o Mundo, fosse pelas remessas dos emigrantes... Aqui fechados é que nunca ganhámos um tusto...
A seguir acabou-se o Ultramar e conseguimos roubar os agora menos crápulas europeus (deram-nos tanto dinheirinho, coitados...). Agora acabou. Temos de encontrar alguém novo para roubar. Aparentemente, hoje em dia com a Internet, pode roubar-se em todo o lado sem se sair de casa. O melhor seria começar pelos espanhóis mas depois (quem sabe com eles), roubar todo o mundo! Nunca sei se a expressão é que a História nunca se repete, ou se é que a História está sempre a repetir-se... Decididamente não percebo muito de História. Mas gosto de histórias.

Bom Ano a todos, dinheirinho e saúdinha e esperemos que 2008 não seja o fim do mundo!

21.12.07

Coisas que oiço dizer

Mulherengo, ele? Ele não tem é jeito para homossexual.

20.12.07

Terrorismo tripeiro
Cada país tem o terrorismo que merece.

Ir ao engano
Imigrantes marroquinos vieram parar a Portugal por acaso. Só mesmo por acaso. Se fosse para viver na miséria não tinham saído de África.

Sócrates afinal, é mesmo um provinciano português
Aprendeu com os seus opositores: diz uma coisa e o seu contrário.