25.11.08

Mano-a-mano

(Ainda para o exercício de rádio do curso de humor. O texto é meu, a ideia não sei quem a deu...)


ENTREVISTADOR
O Mano-a-Mano de hoje é dedicado ao caso da nacionalização do BPN. Connosco temos os manos Paulo Portas e Miguel Portas, muito boa noite aos dois. A minha primeira questão é, como é que isto pôde acontecer?
PAULO
Está-me a perguntar a mim?
ENTREVISTADOR
A um qualquer, quem quer começar?
PAULO
Comece o mano que está sempre a queixar-se que eu não o deixo falar.
MIGUEL
Não, começa tu que estás sempre com a alta finança.
PAULO
Ora essa. Comece o mano que até gosta de nacionalizações.
MIGUEL
Começa tu, que neste escândalo, pelo menos, não há ninguém do teu partido. Eram todos do PSD…
PAULO
Tu não me faças passar vergonhas outra vez. Já me basta ter que te aturar fechado na casa de banho a fumar ganzas a noite toda, nas minhas festas de aniversário.
MIGUEL
Sabes bem que a casa de banho nas tuas festas de anos está sempre ocupada.
PAULO
Bom, então começo eu. A culpa é do Governador do Banco de Portugal que devia demitir-se.
MIGUEL
Dizes isso porque ele ajudou este governo a destapar o défice que o teu governo tinha varrido para baixo do tapete.
PAULO
Tu andaste outra vez a levantar os tapetes em minha casa?
MIGUEL
Já te disse que não. Foi só daquela vez.
PAULO
A verdade é que isto aconteceu nas barbas do governador. O próprio governo deixou que tudo acontecesse só para poder nacionalizar um banco e agradar assim à esquerda. Não vê o sorriso na cara do meu mano.
MIGUEL
A mim toda esta situação causa-me algum engodo.
ENTREVISTADOR
Engodo?
MIGUEL
Sim, engodo. A mim parece-me que a culpa foi dos que estiveram à frente do banco. Eu sou a favor das nacionalizações, mas como deve compreender não posso apoiar uma coisa que o governo fez.
ENTREVISTADOR
Então e que argumento escolhe para não apoiar?
MIGUEL
Bom, estava aqui a pensar contar-lhe uma nacionalização semelhante, que eu vi no interior do Deserto de Gobi, de um rebanho de ovelhas. Sabe que eu viajo muito? Mas optei por outro argumento. Com as indemnizações previstas na lei, esta nacionalização é quase um prémio do governo aos accionistas e ex-administradores do banco. A todos os ex-políticos do PSD que estiveram à frente do banco e que para lá levaram as mesmas práticas que sempre tiveram na administração pública.
ENTREVISTADOR
Práticas, que práticas?
MIGUEL
Boa gestão para os bolsos dos próprios e muitos crimes.
ENTREVISTADOR
Paulo, também acha que os verdadeiros culpados são os administradores que estiveram à frente do banco?
PAULO
Claro. Sobretudo é culpa de Miguel Cadilhe que é um queixinhas. Foi contar tudo à Procuradoria Geral da República e ao banco de Portugal quebrando assim, o pacto inter-bancário de nunca dizer a verdade ao Vítor Constâncio. Coisa que toda a gente cumpre.
ENTREVISTADOR
Muito rapidamente, já temos pouco tempo. Paulo o que espera desta nacionalização e da lei das nacionalizações.
PAULO
Espero que o governo não comece agora a nacionalizar a torto e a direito bancos de jardim e bancos de esperma como é o que parece que esta lei deixa antever.
ENTREVISTADOR
Mas acha que algum banco de esperma pode falir.
PAULO
Com jeitinho, um banco de esperma nunca vai à falência. Vá por mim.
ENTREVISTADOR
Miguel, parece-lhe que o governo vai continuar a nacionalizar.
MIGUEL
Não me parece que vá, mas devia. Desde logo podia nacionalizar o próprio governo que só está ao serviço dos privados e depois podia nacionalizar a minha barbearia.
ENTREVISTADOR
Mas o Miguel tem uma barbearia.
MIGUEL
Não, mas manter-me de cabeça rapada sai-me uma fortuna numa barbearia privada.
ENTREVISTADOR
Obrigado aos dois. E foi mais um Mano-a-Mano com os irmãos Portas.

Pessimista-Mor

Este é o personagem:
Mauro Tristão, o Pessimista-Mor do Reino
Comentador especialista em boas notícias
Não muito baixo e quase gordo com um olhar triste mas ligeiramente surpreendido. Cabelo negro com risco ao lado, mas desgrenhado e já meio careca, barba por fazer, uma verruga grande na cara e olheiras enormes. Sempre suado e gorduroso, veste camisa de manga curta aberta que deixa ver uma camisola interior de alças das que tem os furos de ventilação muito largos, com alguns pêlos do peito a passarem pelos furos e pelo decote, tudo desfraldado e uns calções curtos às riscas verticais.
Sempre a fumar, sentado de lado numa cadeira, à mesa da cozinha onde está pousado um copo de vinho meio, uma garrafa de vinho de mesa, os cigarros, o cinzeiro e um prato com um queijo ressequido. Tem um nas costas da cadeira e outro sobre a mesa.

Esta é a primeira intervenção (no exercício de rádio do curso de humor):

ENTREVISTADOR
A eleição de Barak Obama foi recebida um pouco por todo lado como uma boa notícia para o Mundo. E por isso temos connosco o nosso comentador de boas notícias, Mauro Tristão, o Pessimista-Mor do Reino. Antes de mais queria perguntar-lhe como viu esta eleição nos Estados Unidos da América?
MAURO TRISTÃO
Vi mal. Vi muito mal.
ENTREVISTADOR
Mas o que é que lhe desagradou?
MAURO TRISTÃO
O fumo e depois estava muita gente à frente da televisão e eu quase não vi nada.
ENTREVISTADOR
Mas e da eleição em si?
MAURO TRISTÃO
Repare, isto não foi bem uma eleição, isto foi um concerto de rock. Ou acha normal os miúdos levantarem-se para ir votar? Quem elegeu esse tal de Obama foram os miúdos americanos, que como nós sabemos são mais incultos ainda que os pais. Deviam pensar que iam à urna de voto ver um concerto do Obama Hendrix. Devem ter tomado alguma coisa antes das eleições … Eu sei lá. Mas o certo é que ficaram a ver um mundo colorido. E daltónico porque só assim se explica que os americanos tenham eleito um negro. Porque como se sabe os americanos são mais racistas que os skinheads das claques do Benfica que são fãs do Eusébio.
ENTREVISTADOR
Mas foi um dia histórico?
MAURO TRISTÃO
Nem pensar, foi antes um dia negro.
ENTREVISTADOR
Isso já é um problema de raça?
MAURO TRISTÃO
De raça? Eu não sei dizer que raça é Barak, não sei se é preto, não sei se é branco, se é muçulmano ou se é da raça do Michael Jackson.
ENTREVISTADOR
E que raça é essa?
MAURO TRISTÃO
Sei lá, nem quero saber, a mim não me importa a raça.
ENTREVISTADOR
Muito bem. Barak Obama prepara-se para assumir a presidência e eu pergunto-lhe o que é que se pode esperar de Obama?
MAURO TRISTÃO
Tudo.
ENTREVISTADOR
Como tudo?
MAURO TRISTÃO
Eu sei lá. Quem não nos garante que Obama é muçulmano? O nome completo dele é Barak Hussein Obama, ora a mim soa-me a nome de muçulmano. E a si não soa? A mim soa. Se não parece muçulmano… Barak Hussein Obama… Barak Hussein… Buraca Som Obama… Enfim, parece uma manobra de kuduro.
Barak, barak, barak…
Bom e depois é um homem sem qualquer experiência de estado. Repare que Barak nunca foi presidente antes, portanto não percebe absolutamente nada do assunto.
ENTREVISTADOR
George Bush quando ganhou em 2000 também não tinha sido presidente.
MAURO TRISTÃO
E veja o que ele fez! Desculpe, mas isso é um péssimo exemplo. E depois o Bush era filho de um presidente e isso, para mim como sou monárquico, conta muito.
ENTREVISTADOR
É monárquico?
MAURO TRISTÃO
Sou.
ENTREVISTADOR
Porquê?
MAURO TRISTÃO
Porque tenho garantias suficientes que nunca voltaremos a ter uma monarquia e assim nunca me irão chatear a dizer que a Monarquia não funciona.
ENTREVISTADOR
Mas que garantias tem que isso nunca irá acontecer?
MAURO TRISTÃO
Tenho o D. Duarte vivo.
ENTREVISTADOR
Pois… Mas voltando a Obama, ele tem a fama de que se consegue rodear de pessoas inteligentes e competentes e isso pelo menos viu-se na campanha. Tomando como boa a governação de Obama, não acha que é bom para a América e pelo menos um bom sinal para o Mundo?
MAURO TRISTÃO
Se Obama governar bem?
ENTREVISTADOR
Sim.
MAURO TRISTÃO
Péssimo sinal para o Mundo. Se governar bem, vai ser bom para a América, de facto. Mas repare que quando a América faz bem a si própria quem sofre é o mundo inteiro. O mundo inteiro e isso já incluí, um pouco contra minha vontade, Portugal. Os americanos a única coisa que souberam sempre fazer, foi roubar e conservar a riqueza. Ao contrário de Portugal que quando foi império só sabia roubar e esbanjar a fortuna. Olhe, como a minha família, por exemplo.
ENTREVISTADOR
Ok, não precisamos de tanta informação. Mas não é verdade que quando a América está bem, o mundo costuma estar bem.
MAURO TRISTÃO
Não. Para o Mundo estar bem é porque normalmente a América está a divertir-se em festas de arromba como os Óscares ou como a final de um desporto que eles chamam futebol mas que consiste em correrem uns para os outros como se fossem touros e depois têm uma bola para distrair as pessoas.
ENTREVISTADOR
Sim, mas a América neste momento com esta crise está mal…
MAURO TRISTÃO
Mal, não, nada disso. Ainda pode piorar muito. O mundo é que já está muito mal só por isso. E repare que no século passado para se livrarem de uma crise destas teve de haver uma guerra mundial. Por isso, não é para ser pessimista, mas prevejo uma terceira guerra mundial para muito breve.
ENTREVISTADOR
Para quando?
MAURO TRISTÃO
Não sei, mas digo já que se for para a semana eu não vou poder vir aqui ao programa porque tenho umas coisas para fazer.
ENTREVISTADOR
Coisas? Que coisas?
MAURO TRISTÃO
Compras.
ENTREVISTADOR
O que é que vai comprar se começar uma guerra mundial?
MAURO TRISTÃO
Aperitivos. Amendoins e assim…
ENTREVISTADOR
Porquê?
MAURO TRISTÃO
Vou dar uma pequena festa só para amigos íntimos. Olhe você está, desde já, convidado.
ENTREVISTADOR
Obrigado, mas não. Bom e foi o comentário de Mauro Tristão, o pessimista-mor do reino.

13.11.08

Recordar é viver #1

Toma! Em nome de Cristo...

Monges arménios e padres gregos, apesar de igualmente cristãos, dão-se tão bem como palestinianos e israelitas. No amor de Cristo, claro.
A tradição diz que, na Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém, um dos lugares mais sagrados do mudo, periodicamente haja porrada de meia-noite a qualquer hora. O meu Cristo é melhor que o teu. Nham, nham, nham, nham, nham.
As seis seitas cristãs que gerem a igreja lutam, de forma demasiado literal, por cada centímetro de poder ao ponto de não serem sequer credíveis para guardar as chaves da igreja, tarefa atribuída, ironia das ironias, a duas famílias muçulmanas.
A mais recente bendita zaragata começou com uma procissão que rapidamente se tornou numa fila de trânsito com choques em cadeia. O barulho das sagradas punhadas não deixou ouvir, mas fonte bem colocada afirma que, por momentos, Jesus voltou da ressurreição ao sepulcro só para dar duas voltas na tumba.
O problema nestes episódios é sempre a primeira chapada. A partir daí desata tudo a dar a outra face e os religiosos para não parecerem malcriados têm que começar a distribuir bolachadas como se estivessem a dar a comunhão.
Tudo pelo amor de deus! Obviamente. Até porque é preciso lutar por Cristo. Embora não tão literalmente, é verdade, mas isto serve também um propósito. Tratam-se de religiosos que passam a vida em oração, confissão e comunhão. Ora acontece que com uma vida destas não é possível ter pecados. Logo a confissão é uma seca tremenda. Segundo um monge de cruz na mão a arrear num barbudo grego, “o objectivo é ter pecados para confessar”, adiantando que “é muito desagradável para nós chegarmos ao confessionário e termos que confessar que não temos pecados nenhuns porque passamos o tempo aqui fechados num sepulcro”.
Pelo que estes arraiais de porrada são normais. É a forma que eles têm de passar o tempo e quebrar um pouco a monotonia. É que parecendo que não aquilo é um velório constante.
Ou ainda, de forma mais cândida: os arménios não gostam dos gregos e por isso, sempre que têm oportunidade, molham a sopa e arreiam neles.
Instalada a guerra santa, chamou-se os profissionais e a polícia israelita interveio, distribuindo irmãmente cachaporra entre os fiéis para que no final, a culpa, como sempre, seja dos judeus.

10.11.08

Inquérito "à la" IP

Já andou de comboio na linha do Tua?













Cidadão anónimo

Pessoa com a consciência muito elevada
Essa nunca snifei. Mas ouvi dizer que é linda.














Nazário Capelo de Rêgo

Único gay assumido de Trás-os-Montes, Alto Douro e Minho
Do tua, da minha, sei lá, adoro comboios assim há maneira antiga, duros, rudes e que nos deixam o corpo dorido. Mas nesse nunca andei, porque não gosto de morrer. E acho um bocado piroso morrer no Tua.











Angélico da Conceição

Optimista que mora entre o Tralhão e a Brunheda
Todos os dias. Não tenho medo. Num ano morreram apenas 4 pessoas. Mas veja que é um sitio com poucas estradas, onde há poucos acidentes de viação e as pessoas aqui têm tanto direito a morrer ao serem transportadas como qualquer outro português.














Durbalino Sacamoles

Autarca ali de perto
Eu sou uma pessoa Tua cá, Tua lá. Sim, morreram pessoas, mas é ou não é um sitio lindo para morrer? Estamos a pensar lançar um novo slogan turístico: “Crise Mundial? Não amua, vem morrer no Tua.”

Destruição de chavões

Os amigos são para as ocasiões.
Os amigos são para as obstipações.

Podem começar a comer, que isso frio perde a piada.
Sei do que falo que a minha mulher é uma pessoa muito fria.

As crianças são o melhor do Mundo.
E o pior do Carlos Cruz.

Há mar e mar, há ir voltar.
A amar e a amar, há vir e voltar-se.

Já está a ficar frio mas também já é tempo dele.
Já está a ficar frio mas também já é tempo de nos vermos livres do corpo porque também já cheira mal.

Que ganhe o melhor.
Que ralhe o “menhor”.

Coitadinho, foi para um sítio melhor.
Picadinho, foi para um sítio do senhor.

O cão é o melhor amigo do homem.
Quando não ataca ferozmente pelos fundilhos das calças e lhe trinca violentamente as nádegas até fazer dói-dói.

Grão a grão enche a galinha o papo.
Cão a cão enchem várias galinhas o papo.

Com o mal dos outros posso eu bem.
Desde que não seja muito pesado.

Nacionalização do BPN

O desafio era escrever a mesma (falsa) notícia para dois meios diferentes (Expresso/24 horas). Foi um exercício de aula que só revi ligeiramente.

Expresso
Sócrates na última curva antes das eleições vira à esquerda e oferece banco aos portugueses
O BPN foi a mais recente instituição gerida por ex-ministros e ex-secretários de estado a atingir a perfeição: desmaterializou-se, tal como antes tinha acontecido com a Universidade Independente. Para esta nacionalização contribuíram as queixinhas de Miguel Cadilhe que contou tudo à Procuradoria Geral da República e a Vítor Constâncio quebrando assim, o pacto inter-bancário de nunca dizer a verdade ao Governador do Banco de Portugal.
Teixeira dos Santos foi claro ao explicar a razão da decisão do Governo afirmando: um familiar meu tem lá o crédito à habitação e eu sou coleccionador de moedas do euro.
As reacções dos partidos da oposição não se fizeram esperar e o CDS-PP anunciou desde já que tomaria uma decisão urgentemente. No PSD, Paulo Rangel foi mais contido, primeiro vai ver quanto é que tem na conta do BPN e depois diz alguma coisa. O PCP só acredita na nacionalização depois de a ver.

24 Horas
Sócrates já conseguiu comprar um banco à custa de vender o Magalhães onde quer que vá
O Governo anunciou a nacionalização do Banco Português de Negociatas, um banco de ex-políticos que levaram para o privado as práticas que tinham na administração pública: boa gestão para os bolsos dos próprios e muitos crimes. Embora o Governo tente explicar as razões excepcionais para esta nacionalização, a oposição à direita não acredita. Teme-se que Sócrates caia na tentação de agradar a Manuel Alegre e comece a nacionalizar a torto e a direito, bancos de jardim e bancos de esperma. À esquerda, Jerónimo de Sousa já disse que é apenas um bom princípio e que espera agora que o Governo tenha coragem de avançar para a Reforma Agrária.

Este blogue está meio abandonado...

... estava. Voltei. Apesar de estar coxo de um participante, de não ter celebrado o quinto aniversário (Setembro passado), este blogue não morreu e está vivo. Mas o trabalho e a perguiça à Grande tomaram-me conta do corpo e do juízo. Para compensar, vou desepejar algum trabalho que tenho feito.
Abaixo os cépticos. Viva o Obama.

21.10.08

Avisos paroquiais

Chegou-me em powerpoint (assinado com www.powerpoints.org) há já algum tempo. Foi ficando no meu desktop e de cada vez que ia ver o que era aquilo, relia e voltava a chorar a rir. Por isso não resisto a partilhar. Passei a texto e alterei a ordem de alguns avisos.

AVISOS PAROQUIAIS
Santa inocencia, ingenuidade ou criatividade?
Sao avisos fixados na porta da Igreja paroquial de Belmonte, todos eles reais, escritos com muito boa vontade e muito má redacção…

Para todos os que tenham filhos e não o saibam, temos na paróquia uma área especial para crianças.

Quinta-feira que vem, às cinco da tarde, haverá uma reunião do grupo de mães. Todas as senhoras que desejem formar parte das mães, devem dirigir-se ao escritório do pároco.

Lembrem-se que quinta-feira começará a catequese para meninos e meninas de ambos os sexos.

Na sexta-feira às sete, os meninos do Oratório farão uma representação da obra “Hamlet” de Shakespeare, no salão da igreja.
Toda a comunidade está convidada para tomar parte nesta tragédia.

O torneio de “basquet” das paróquias vai continuar com o jogo da próxima quarta-feira.
Venham aplaudir, vamos tentar derrotar o Cristo Rei!

O mês de Novembro finalizará com uma missa cantada por todos os defuntos da paróquia.

Por favor, coloquem as vossas esmolas no envelope, junto com os defuntos que desejem que sejam lembrados.

Prezadas senhoras, não esqueçam a próxima venda para beneficência.
É uma boa ocasião para se livrarem das coisas inúteis que há nas suas casa. Tragam os seus maridos!

O coro dos maiores de sessenta anos vai ser suspenso durante o verão, com o agradecimento de toda a paróquia.

Lembrem nas suas orações todos os desesperados e cansados da nossa paróquia.

O preço do curso sobre “Oração e jejum” inclui as comidas.

As reuniões do grupo de recuperaçao da autoconfiança são nas sextas feiras, às oito da noite. Por favor, entrem pela porta traseira.

Assunto da catequese de hoje: “Jesus caminha sobre as águas”
Assunto da catequese de amanhã: “Em busca de Jesus”

Na próxima terça-feira à noite haverá uma feijoada no salão paroquial.
A seguir, terá lugar um concerto.

5.10.08

O espectáculo vai continuar

Em Novembro, os americanos serão chamados às urnas para escolher entre o inexperiente Barak Obama e um velho que não consegue levantar os braços à altura dos ombros chamado John McCain. Obama é considerado um intelectual elitista do género Latte – ou seja menino copo de leite com café do Quénia do lado do pai. Discursa como um pregador preto, fala como um branco literato e mete medo como um verdadeiro Hussein – o seu nome do meio. Já McCain foi prisioneiro de guerra e tem idade para ter inventado a própria guerra, na altura ainda com paus e pedras. Por isso mesmo, há quem diga que ele é quem está melhor posicionado para travar a guerra do Iraque, a terceira guerra mundial e mesmo a quarta, que como Einstein disse um dia, será com paus e pedras.
O problema reside porém na grande diferença partidária destas eleições: o Partido Democrata através de Obama aposta na esperança, “a última a morrer”, enquanto o Partido Republicano aposta em McCain, o primeiro a finar-se.
Para trás ficou uma luta renhida entre Obama e Hillary Clinton. Por um lado o primeiro negro candidato à presidência e por outro a mulher que casou com o presidente mais negro da história da América... segundo Mónica Lewinsky.
Mas se nas primárias tudo parecia definido – McCain era um republicano desalinhado com cara de defunto e Obama um democrata anti-sistema preto o suficiente para assustar os velhinhos norte-americanos – assim que se passou à campanha propriamente dita, tudo mudou. Os candidatos alteraram o discurso, Obama foi buscar um velho branco para vice-presidente e McCain foi buscar uma cabra, perdão, uma cara linda ao Alaska. Mostrando assim que Obama deveria ter convidado Hillary para número dois. Os americanos ainda estão a sofrer pela impossibilidade de ver Hillary e Pallin a lutar na lama... que é uma campanha nos Estados Unidos da América.
A mudança é a palavra chave destas eleições e há já muitos americanos a pensarem mudar-se para outro país. A esquerda mundial está perplexa: Bush invadiu países, limitou as liberdades individuais e destruí a economia de mercado americana até ao tutano – tudo o que eles gostariam de ter feito e nunca conseguiram. Na verdade, George Bush após dois mandatos em que foi caluniosamente apelidado de fascista, revelou agora a sua verdadeira natureza ao mostrar que no fundo é um marxista-cowboyista, tendo já nacionalizado mais empresas que Hugo Chávez.
O estado da economia americana é caótico. O cenário é tão negro, tão negro, mas tão negro que os americanos estão seriamente a considerar eleger Obama. Para a Casa Branca...
No dia 4 de Novembro, os americanos vão ter que escolher se querem que fique tudo na mesma com McCain, se preferem que tudo mude com Obama ou se deixam os chineses executar a hipoteca e entregam o país à China que não fez um mau trabalho na organização dos Jogos Olímpicos. Afinal, a América não passa de um grande espectáculo.

Nota: Texto livre no âmbito de um curso de escrita para humor que estou a fazer

3.10.08

Escrevo tão mal que até tenho que pagar a renda no final do mês

Quero que saibas

Uma emancipação

Casa com uma gaiola

Da alma consumida de si

Câmara de todos os temores

De todos os amores

Lisboa quero que saibas…

24.9.08

Da telepatia

Se alguém me conseguisse ler os pensamentos, primeiro rir-se-ia. De mim. Depois ficaria preocupado. Finalmente ficaria traumatizado. E logo a seguir, passava-lhe.

17.9.08

Da ascensão social XXI

Quando finalmente entraram pelas portas do clube dos ricos para fazerem a inscrição, nem desconfiavam que o que estava na moda lá dentro era viver como os pobres.

11.9.08

Do caçador

Estava tão habituado a caçar rolas que quando caçava lebres não parava de olhar para o céu.

7.9.08

Das vacas

Quando as vacas estavam gordas, ai! que a vida vai mal. Quando as vacas emagreceram, ai! que é o fim do mundo. Quando as vacas morreram, ai! que sorte a minha!

3.9.08

Ladrão que rouba ladrão tem mais 50 anos de petróleo

Não sei porquê esta preocupação repentina com os assaltos nas bombas de gasolina. Isto é uma coisa que já vem acontecendo desde há algum tempo. Desde que o petróleo começou a subir.

2.9.08

Actualidades

A melhor maneira de fazer oposição até pode ser mantendo o silêncio mas Manuela Ferreira Leite tem de falar de vez em quando para sabermos que não morreu ainda.

O Gustavo, uma tempestade tropical? Fidel afirma que quando ele saiu de Cuba era um furacão de alta categoria. Quatro mais precisamente.

Dantes havia a silly season, agora há a violent season. Os media confirmam que vende melhor.

A Rússia invadiu a Geórgia e eu sinto-me à vontade para invadir a Jórgina. Assim que lhe encontrar a Ossétia do Sul.

1.9.08

Este blog está a recomeçar...

... mas leva tempo porque o motor foi a arranjar ao Alentejo. É possível que amanhã haja coisas novas. Mas não há garantias.

16.8.08

Coisas silly

O que é um piso radiante?
É um piso que está bem com a vida?
É um piso feliz?
É um piso apaixonado?
É um piso realizado?

23.7.08

Crónica de um homem objectivo

(Para ler nas férias)

Enquanto escrevo, a campainha toca desalmadamente. É a minha futura ex-mulher, também ela sem alma alguma… Parou. Deve ter desistido. Não para de me incomodar. Às vezes penso que o juiz é que tem razão e eu devia mesmo devolver-lhe a casa.
Não sei bem porque isto acabou assim. Eu até gostava dela. Ela era perfeita para mim. Acho que no fundo, o problema, é que eu nunca acreditei na perfeição. E depois ela sempre foi uma mulher muito fria e não lhe vi melhoras nenhumas com esta história do aquecimento global.
Tive várias namoradas antes dela, mas só casei com esta. Se soubesse o que sei hoje, tinha-me casado com todas. Até porque o divórcio é o fim ideal para qualquer casamento. Muito melhor do que a morte porque pelo menos continuamos vivos.
Divorciei-me dela porque já não estava a dar. Ela queria ter filhos e eu tive de lhe explicar que as pessoas para terem filhos precisam de ter condições para os ter. Ela insistiu que nós tínhamos condições para pelo menos dois filhos. E eu perguntei-lhe: “Então porque é que havemos de estragar essas condições?…” Mas fiquei com a ideia que ela não me percebeu.
Chateámo-nos de vez por causa da TV. Para as mulheres, as duas melhores invenções de sempre, foram a televisão – a maior rede de calhandrice do mundo – e o televisor 16:9 porque é “lindo”. Especialmente, com a imagem 4:3 esticada a toda a largura. À grande! Nunca, nada aumentou tanto a auto-estima das telespectadoras. Todas as gajas da TV ficaram de repente tão gordas quanto a minha mulher passou a achar que é normal ser. Mas eu, ao contrário de toda a gente que eu conheço, gosto de ver a televisão com algum sentido de proporção. Detesto que a televisão se torne desproporcional. Para isso já bastam os programas e as notícias.
Verdade seja dita, quem a engordou fui eu. Sou eu, quem cozinha cá em casa. Hoje em dia, gosto de cozinhar. Aprendi a cozinhar por causa dela. Ela era meio anoréctica quando casámos. Um dia fartei-me da “salada de poucochinho” e fui à cozinha e disse-lhe: “Miúda, eu cozinho aqui, tu cuzinho, mas no quarto.” Ela só concordou com a primeira parte do acordo e até começou a gostar dos meus cozinhados. A porca no primeiro mês, engordou 20 quilos! O que não era difícil, porque quando começámos a namorar ela não pesava mais de trinta quilos, mamas incluídas. Eu, menos de trinta não toco. Ou está para morrer ou é pedofilia e prefiro não arriscar.
Hoje em dia, até acho mal que os homens mandem as mulheres para a cozinha e se ponham na sala a ver televisão e a beber cerveja. Desde logo porque a cerveja fresca está na cozinha! Lá também há televisão e depois, as mulheres hoje em dia, já não sabem cozinhar! No fundo, já não há mulheres como antigamente. Quer dizer, haver há, só que estão velhas…
Por isso mesmo acho que as mulheres deviam sair da cozinha. Os homens deviam, pelo menos, deixá-las ir à sala de vez em quando. E deviam levá-las à rua. Nem que seja para fazer as necessidades, que elas estão sempre aflitas quando saem… Tenho um vizinho que leva o cão à rua todos os dias e a mulher apenas uma vez por semana. Parecendo que não, isso não faz muito sentido.
Olha! Lá está ela a tocar… Está na rua a tocar porque eu mudei as fechaduras todas…
Tive de acabar com ela. Ela engordou de mais. Parecia o Fernando Mendes… Ainda a tentei vender por um preço certo, mas ninguém me quis ficar com ela.
Ainda me lembro quando a vi pela primeira vez. Gostei logo dela. Conheci-a numa esquina. Literalmente, é verdade. Mas eu nunca acreditei que ela andasse a atacar. Ela, não. Lembro-me que tinha sempre um grande decote e muitos homens de volta dela. É engraçado... As mulheres saem à rua de decote pelo umbigo para o mostrar a um homem e passam o resto do dia a aturar todos os outros…
Ela tinha umas mamas grandes e lindíssimas que se comportavam de forma estranha: estavam sempre a olhar para mim. Como a maioria dos homens, casei com ela por causa das mamas. Os homens desconfiam muito das mamas. E é por isso que fazem questão de as trazer sempre debaixo de olho.
A princípio correu tudo bem. Gostávamos um do outro e o que eu tinha era dela e o que ela tinha era meu… Excepto o cu, não por eu não lho ter pedido, mas porque ela tinha mau feitio. A partir daí tivemos muitos problemas… Perguntei-lhe uma vez: “Mas tu tens algum problema com o meu pénis?” E ela, que não. E eu voltei à carga: “Então se não te dás mal com o meu pénis, porque é que nunca o beijas antes de ir dormir?” Mas acho que ela não percebeu…
Começámo-nos a afastar cada vez mais e eu sugeri que déssemos uma volta ao nosso casamento. A meu pedido considerámos a hipótese de alargar os nossos horizontes sexuais e um dia houve mesmo a hipótese de fazermos uma ménage com uma amiga dela. Estava tudo combinado quando ela desistiu e disse que era melhor tentarmos resolver o nosso problema de outra forma. E eu disse-lhe: “Oh querida, eu compreendo perfeitamente que tu não queiras fazer uma ménage com a tua amiga. Só não percebo porque é que eu não posso.”
Pouco depois começou a acusar-me que eu nunca abri a boca para lhe dizer que ela era a minha amada. Mas eu também nunca a vi abrir a boca para me fazer uma mamada!... E sabem que mais? Ela não percebeu…
Um dia rebentou. Ela disse-me que eu não valia um caralho.
Nas unidades de medida, não valer um chavo é muito mau. Não valer um peido, é péssimo. Mas não valer um caralho, é fatal. Larguei-a logo ali. Tive sorte porque logo ali era a casa dos pais dela. Voltei para casa e nunca mais a deixei entrar.
Olha! Está a tocar outra vez… E desta vez já subiu as escadas. Alguém lhe abriu a porta de baixo. Tenho de parar de teclar que ela pode ouvir. Vou teclar baixinho…
Entretanto, deixei de me dar com ela. Faço questão de só me dar com pessoas que me conseguem aturar. Eu sei bem que lhe fiz trinta por uma linha… Depois, mudei de linha e lixei-me… Fiquei-lhe na palma da mão… E ela aplaudiu-me.
Desde então, passei um mau bocado… Estava muito habituado a ela. Nunca mais encontrei nenhuma mulher com quem tivesse uma ligação espiritual assim. Uma mulher que tanto me lia Fernando Pessoa, como discutia sobre a civilização, como sabia exactamente onde estava a minha roupa interior suja. Mesmo a que estava debaixo do sofá da sala. E só mo dizia se eu lho perguntasse. Ela era diferente. Depois dela fiz mesmo uma travessia no deserto… Confesso que me pus à procura de uma gaja boa. Uma mulher bonita. Mas para não me sentir fútil, decidi que queria uma mulher bonita mas inteligente. E depois para tornar a coisa mais interessante: Uma mulher bonita, inteligente e loira. Não é que eu não queira assumir um compromisso, mas isso há-de existir. Ou não?
Um homem sabe que não dá uma queca há muito tempo quando os preservativos de bolso passam de validade. Quando dei por mim, tinha o caixote do lixo cheio e a cama às moscas. Como é fácil de imaginar, não existe maneira nenhuma de bater à punheta que não tenha sido já inventada ao longo destes milénios de existência de homens com pénis. A coisa torna-se monótona a partir da nongentésima quadragésima primeira ou segunda vez. E entra na rotina.
Foi então, que conheci a Vera.

A Vera era muito boa rapariga. E muito saudável. Uma saúde!… Para imaginarem, ela era tão saudável que até a merda dela tinha aloé vera e cheirava àquilo e tudo. A Vera era quase tudo o que eu quero de uma mulher: ela era bonita, era loira e acima de tudo era muito inteligente. Sobretudo, inteligente a comer. É que ela era ovo-elástico-vegetariana. Isto é, só comia vegetais, ovos e pastilha-elástica.
Conheci a Vera num bar… Disse-lhe: “Ó Vera eu também acho que os D’ZRT são extraordinários… Olha lá, queres ir lá a casa ver a minha colecção de CD’s? Hum?… Depois, se não gostares vestes-te e vens-te embora…” E ela lá foi. Mas não pensem que isto é assim sem mais nem menos. Porque no fundo, nós homens, para termos sexo, precisamos assim, de algo especial, digamos, um sítio. Enquanto as mulheres precisam sempre de uma boa desculpa. A Vera chegou a minha casa e queria mesmo ver a porcaria da colecção dos CD’s. E nessa altura eu já tinha vendido os CD’s quase todos da minha mulher… Passei tudo para Mp3, claro.
Conversa para aqui, conversa para ali e passados cerca de alguns dois minutos comecei a tentar despi-la. Mas ela disse que não. Não? Parece que não estava preparada. Que não costuma estar assim com alguém em apenas 45 minutos depois de a conhecer. E eu pensei: “será que precisa de mais uns minutos?!” Eu sei que um homem às vezes tem alguns problemas com o tempo. Eu tenho problemas com o tempo. Mas nestas coisas sou uma pessoa objectiva, não vejo qual é o problema. Que sorte a minha! De entre tantas adolescentes hiper-mega-liberais, eu apanhei a mais pudica delas todas.
Então disse-lhe que na verdade gostava muito dela e expliquei-lhe que só costumava ir para a cama com uma mulher, assim no mínimo, dois meses depois de a conhecer. Mas expliquei-lhe que ela, ela era muito especial e que eu nunca tinha sentido aquilo com alguém antes. Confesso que nunca tinha visto uma mulher a despir-se tão depressa. Mas logo depois, no momento da verdade, lá voltou ela ao não! …
Não, outra vez? Parece que não estava preparada e que não se sentia à vontade sozinha comigo. E eu perguntei-lhe: “Mas então queres o quê, chamar uma amiga?” E ela disse que sim, que com uma amiga seria melhor.
Já agora que falo disto, outra vez, deixem-me desmistificar aqui uma coisa. Dizem que o sonho de qualquer homem é fazer amor com duas mulheres ao mesmo tempo. Não é verdade. Isso pode ser verdade para alguns homens, mas para a maioria não é assim. Duas é o mínimo. Sempre é mais que uma, mas está muito longe de ser o ideal. Como apesar de tudo, nós homens somos humanos, até conseguimos viver só com uma, desde que não haja outra hipótese viável.
Perguntei-lhe: “Mas queres uma amiga porquê?” Só lhe fiz a pergunta porque não havia ali nenhuma e ainda ia levar algum tempo até encontrarmos uma. Porque senão, tinha perguntado depois. Foi então que ela me explicou que era lésbica!
A princípio fiquei um pouco sentido. Afinal de contas depois de estarmos ali os dois, na intimidade um do outro, completamente nus, adiantadamente enrolados, agora é que ela mudava de orientação sexual? Pensei que não estivesse a gostar do que via. Se calhar, podia ser uma desmotivação de tamanho. Expliquei-lhe que o tamanho não era tudo e falei-lhe da importância da grossura, bem como do empreendedorismo da coisa. Aliás, das coisas em geral. Mas ela explicou-me que era mesmo lésbica e que nunca tinha estado com um homem. O que para mim não era mau – assim pelo menos não tinha termo de comparação.
Por essa altura eu já estava louco e já dizia qualquer coisa. Em desespero de causa, usei a técnica mais arriscada. Fui sincero, falei-lhe francamente e abri o peito – disse-lhe que a amava do fundo do coração. E fizemos amor loucamente. Foram os melhores 7 segundos e 12 centésimos da minha vida. Garanto-vos. Há quem diga que é ejaculação precoce, eu chamo-lhe objectividade!
Ainda nos voltamos a ver mais uma ou duas vezes. Nessa noite. Ela nunca concordou que chamássemos a tal amiga. Mais tarde (ou logo de manhã, não me lembro) voltou a ser lésbica. Nunca percebi muito bem porquê.
Porque é que ela nunca quis chamar outra?…
Olha! Lá está a outra a tocar. Chiu! Vou desligar o computador e a música para ver se ela se vai embora…